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Ser mãe de mãe

Quando a filha se torna mãe, o amor se multiplica e nasce uma nova forma de maternar

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DEBORAH DEBNER - Escritora e psicóloga especialista em neurociência e psicologia positiva, é também graduada em ciência da felicidade e professora de pós-graduação em motivação e resiliência

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Antes de virar avó, nunca me falaram sobre o impacto de ver a nossa filha se tornar mãe. Sempre ouvia das avós sobre a emoção de ter netos. Uma amiga me contou do seu amor oceânico pelos netos quando soube que eu viraria avó. Sim, era verdade! Mas quando virei avó, além desse amor profundo, vivo e transbordante que senti, fui visitada por algo singular, completamente surpreendente: a emoção de ser mãe de mãe.


Uma nova presença me habitou ao me tornar mãe de mãe. De um instante para outro, nós passamos a compartilhar um olhar cúmplice: ambas sabemos o que é ter filhos. Logo nos primeiros dias, ela entendeu o vácuo de respostas, a insegurança do primeiro banho, as dúvidas que nunca cessam.


Nos encontramos nessa cumplicidade: tornamo-nos duas mães, não apenas mãe e filha. E isso mudou tudo, pois adentramos mais profundamente no mundo uma da outra. Porque agora, de alguma forma, ela sabe.


Ser mãe de mãe me tirou definitivamente do protagonismo tantas vezes desafiador, para apenas apoiar. Com todo o amor que eu posso entregar e todo o respeito que ela merece receber. Com o maior cuidado, eu procuro ser a rede para ela descansar e o abraço que alivia sono, dores, dúvidas ou lágrimas.


Olhando minha filha, que em seis anos virou mãe de três, eu me surpreendo com o quanto ela sabe o que eu não sabia. Já estive nesse lugar antes e no tempo do coração, foi ontem. Não foi fácil e foi maravilhoso. Ela também sabe: é maravilhoso e não é fácil.


Ser mãe de mãe também tem me ensinado sobre o momento de falar e o momento de calar. Eu posso ter vivido mais, mas não cabe a mim decidir o que é melhor para meus netos. Uma resposta amorosa ajuda. Uma opinião invasiva atrapalha.


Por isso, ser mãe de mãe me expande e me recolhe. Ganhei a sabedoria geracional da avó, mas as decisões não me pertencem. São da mãe, não da filha. Procuro servir com humildade e cuidado.


Outro aprendizado absolutamente essencial nesta trajetória é sobre o limite tênue entre o amor à família e o amor-próprio. Quando dizer sim? Quando dizer não? Como navegar de forma leve e verdadeira, sem a âncora da culpa tingindo as relações? Como compor as necessidades de todo o sistema, a vontade de estar presente de corpo e alma, com os momentos de respiro e vida pessoal?


Ser mãe de mãe tem sido uma travessia viva e profunda. A filha continua lá, olhos brilhantes, sorriso de criança crescida. Mas a mãe resplandece em gestos simples de beleza, segurança e amor que transborda aos meus netos.


Não sei exatamente que mãe eu era quando esta mãe que vi nascer era apenas um bebê em meu colo. Mas olhando minha filha, sei que alguma boa semente foi plantada, para florescer essa tão linda mãe 27 anos depois.

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Virar avó me ofertou um bônus especial: ser mãe de mãe!

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