Educação superior no Brasil: desafios e oportunidades
Os números mostram que o papel das políticas públicas vai além de simplesmente ampliar vagas. Ampliar o acesso é apenas parte da equação
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CELSO PEIXOTO GARCIA
Reitor do Centro Universitário Una
Na semana em que se comemora o Dia da Educação, celebrado ontem, é oportuno olhar com atenção para o momento vivido pela educação superior no Brasil. Dados oficiais mostram que o país segue ampliando o acesso ao ensino superior e, com isso, consolidando novas possibilidades de formação e inserção social. O Censo da Educação Superior 2023 destaca crescimento de matrículas que ultrapassa 9,9 milhões de estudantes. As instituições privadas respondem por grande parcela desse universo, com mais de 7,9 milhões de matrículas, sinalizando a relevância desse segmento na promoção do acesso à graduação no Brasil.
Uma transformação importante tem origem em políticas públicas que ampliam a inclusão e equidade. O Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ferramenta de acesso ao ensino superior por meio do desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), registrou crescimento de 124% no número de estudantes cotistas aprovados em ampla concorrência em 2025 quando comparado ao ano anterior, com mais de 26 mil candidatos nessa condição. Esse salto reflete avanços na abertura de oportunidades para jovens de diferentes contextos socioeconômicos no país.
O crescimento nas matrículas não se restringe apenas ao acesso. A formação de futuros docentes tem apresentado trajetória positiva, com destaque para a elevação de 60% nas matrículas de estudantes com notas mais altas no Enem em cursos de licenciatura presencial em 2025, impulsionada por iniciativas que incentivam a escolha pela carreira docente e fortalecem a formação de professores para a educação básica.
No entanto, os números mostram que o papel das políticas públicas vai além de simplesmente ampliar vagas. Ampliar o acesso é apenas parte da equação. O Censo da Educação Superior indica que estudantes que acessaram a graduação por meio de cotas ou programas de apoio estudantil apresentam melhores taxas de conclusão em comparação aos não beneficiados, evidenciando que iniciativas focadas em permanência e acompanhamento pedagógico são igualmente essenciais para transformar o acesso em trajetória de sucesso acadêmico.
É nesse ponto que emerge um dos principais desafios do ensino superior brasileiro: transformar acesso em permanência e conclusão com qualidade. Esses dados mostram que o ensino superior está mais acessível e diversificado, com indicadores que apontam avanços em inclusão, desempenho e escolha por áreas estratégicas de formação. Para instituições particulares, esse cenário traz a necessidade de reforçar a atuação em conjunto com políticas de assistência estudantil, repensar modelos acadêmicos, ampliar a clareza da proposta educacional ao estudante e investir em modelos flexíveis de ensino e apoio à permanência, garantindo que cada vez mais brasileiros concluam seus cursos e contribuam para o desenvolvimento social e econômico do país.
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Na esteira do Dia da Educação, celebramos tais conquistas e reforçamos o compromisso de avançar na construção de um ensino superior que combine acesso, qualidade e conclusão, conectando aspirações individuais às demandas de um Brasil que busca educação de qualidade como vetor de transformação.