Editorial

O fantasma dos furtos no Brasil

O que antes era um delito de oportunidade, hoje é o combustível de uma cadeia complexa que envolve receptação qualificada, revenda de peças e de produtos em pon

Publicidade
Carregando...

Uma mudança na dinâmica da criminalidade vem ocorrendo de forma quase silenciosa no Brasil. Enquanto os índices de ocorrências violentas, como o homicídio, apresentam quedas graduais em diversas capitais, o furto – que não causa marcas de sangue, mas deixa um profundo impacto psicológico nas vítimas – segue uma trajetória inversa e alarmante.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

Números mais recentes do Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam a resistência maior à redução desse registro, especialmente nas grandes cidades. Os dados ainda apontam que esse ato delituoso atinge várias camadas da sociedade, além de desafiar o setor de segurança em níveis variados. Um exemplo que reforça as estatísticas foi o que aconteceu, na última quinta-feira, com o ator Marcos Palmeira, que teve seu carro furtado durante uma confraternização com colegas de profissão no Rio de Janeiro. Ele estava em um restaurante e, ao sair, percebeu que seu veículo de alto luxo, com equipamentos de segurança, havia sido levado por ladrões. Fato é que o desconforto e o inconveniente de ter um bem afanado tiram o sossego da população todos os dias, independentemente de quem seja, onde esteja e do aparato de proteção que disponha.

Uma análise fria das taxas apresentadas nos estudos sugere uma “especialização” desse crime: o que antes era um delito de oportunidade, hoje é o combustível de uma cadeia complexa que envolve receptação qualificada, revenda de peças e de produtos em pontos físicos e até mesmo por meio da internet. Nesse cenário, discutir sobre a falta de policiamento ostensivo é fundamental, porém outros pontos importantes se colocam para a solução das questões envolvendo os furtos.

Um deles é a falha na punição. O sistema judiciário, muitas vezes, trata a ocorrência sob o princípio da insignificância ou através de decisões que permitem ao infrator retornar às ruas antes mesmo de a vítima concluir a burocracia do boletim de ocorrência. Esse “ciclo” acarreta uma dose considerável de impunidade, que desestimula a denúncia e mantém os autores dos delitos em atividade quase constante.

O risco da perda patrimonial – que faz o cidadão alterar a rotina, deixar de frequentar espaços públicos e viver sob aparatos de vigilância que pesam no orçamento – também impacta a economia nacional, causando prejuízos bilionários. Na conta dessa “sangria” entra o preço do objeto subtraído e uma série de valores, interferindo, inclusive, no orçamento da União. As avaliações recentes sinalizam que furtos, roubos e estelionatos devem gerar perdas equivalentes a cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para reverter esse quadro, o Brasil precisa ir além do que vem fazendo. O investimento maior em inteligência, focando o rastreio financeiro dos “administradores” dos esquemas, é urgente. Partir de forma firme para a identificação e o posterior fechamento de estabelecimentos que operam a receptação é outra medida essencial. Usar a tecnologia como barreira de furtos e arma de investigação deve ser prioridade. Criar mecanismos para garantir que o infrator seja punido, sem necessariamente lotar ainda mais os presídios, mas através de monitoramento e de penas alternativas eficazes, completa o rol de ações necessárias.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

O Brasil não pode aceitar o furto como “de baixo potencial ofensivo”. Tratar o pequeno delito com a seriedade de um grande crime é o caminho para assegurar o direito básico de viver sem a sombra da subtração da paz e dos bens conquistados com trabalho.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay