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Memorial Brumadinho: um ano de encontro e escuta

Seguiremos como espaço de preservação da memória, mas também como motor de reflexão crítica e de ação cidadã

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FABÍOLA MOULIN - Diretora presidente da Fundação Memorial de Brumadinho

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Há um ano, abrimos as portas do Memorial Brumadinho com um propósito claro: apresentar ao mundo um espaço de memória e de honra às 272 vidas perdidas no rompimento da barragem da Vale, no Córrego do Feijão. Desde esse primeiro dia, cada ação do memorial reafirma a convicção de que lembrar não é um gesto passivo. Lembrar é uma escolha ética, coletiva e permanente. Foi, portanto, por meio da ação, do movimento e de decisões carregadas de intenção que o Memorial exerceu plenamente seu papel ao longo do primeiro ano.


Após 12 meses de portas abertas – e sete anos completos desde o rompimento da barragem – consolidamos este espaço de memória como um centro multidisciplinar dedicado à cultura, à educação e à responsabilidade social. Um lugar que nasce de uma tragédia, situado às margens de onde irrompeu o mar de lama em janeiro de 2019, mas que se orienta por um propósito inequívoco: a construção e a defesa da vida.


O memorial é um compromisso vivo com o futuro. Suas salas expositivas, a programação educativa, o Centro de Referência, o Programa de História Oral, a articulação em redes nacionais e internacionais e o conjunto de suas ações públicas são pensados de forma integrada para provocar reflexão, ampliar repertórios e aproximar a sociedade de debates urgentes sobre mineração, território e justiça.


Em 2025, recebemos mais de 22 mil visitantes – entre famílias, escolas, pesquisadores, artistas, jornalistas, lideranças comunitárias e representantes de diversas instituições. Cada presença reafirma algo que orientou o projeto desde o início: o memorial é um lugar de encontro e de escuta. Por isso, o diálogo contínuo com as famílias das vítimas, representadas pela Avabrum, permaneceu como o norte ético de cada decisão. São elas o motivo de este espaço existir, coautoras do que já foi construído e do que ainda está por vir.


Ao longo deste primeiro ano, estruturamos uma programação que integrou arte, ciência, memória e participação social. Realizamos atividades voltadas à relação entre sociedade e natureza; promovemos conversas sobre responsabilidade corporativa; abrimos espaço para manifestações artísticas – como o cinema e o teatro – que abordaram o luto, a mineração e o meio ambiente. Também fortalecemos o Memorial como equipamento cultural de referência, sem equivalência temática no Brasil e no mundo.


Talvez o aspecto mais significativo desse período tenha sido ver o memorial se tornar um lugar onde as pessoas se sentem autorizadas a experimentar indignação, dor, solidariedade e esperança. Um espaço que acolhe e, ao mesmo tempo, convoca. Que lembra, mas também projeta futuros.


Quando inauguramos o memorial, afirmamos que ele nasceu para não permitir o esquecimento. Hoje, torna-se ainda mais evidente que a memória é o instrumento mais poderoso de que dispomos para transformar estruturas e impedir a ausência de lembrança que autoriza a repetição de tragédias. Assim, o Memorial Brumadinho assume a responsabilidade permanente de agir na criação e no cuidado com a memória, fazendo com que a história do rompimento reverbere para além de suas paredes e de seu bosque.


É por meio de suas ações, de seus simbolismos e de seu histórico de luta – pelos direitos humanos, ambientais e trabalhistas – que o Memorial Brumadinho, como espaço de discussão contínua, nos relembra que vidas humanas não são colaterais, que territórios não são descartáveis e que não pode haver desenvolvimento sem responsabilidade.


Ao completarmos um ano, reafirmamos nosso compromisso com as famílias das pessoas vitimadas pelo rompimento da barragem da Vale, com o território de Brumadinho, de Minas Gerais e do Brasil. Seguiremos como espaço de preservação da memória, mas também como motor de reflexão crítica e de ação cidadã. Seguiremos construindo pontes entre passado e futuro, entre ciência e cultura, entre arte e política, entre dor e reconstrução.

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Que este primeiro ano marque o início de uma trajetória perene e transformadora. E que a memória permaneça viva por meio de um trabalho atento e reflexivo, capaz de convocar pessoas de todos os lugares do mundo a olhar com cuidado para todas as formas de vida e, a partir desse compromisso, imaginar e construir outros mundos possíveis.

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