A rastreabilidade na cadeia de alimentos e a agenda ESG
É necessário mapear processos, identificar riscos, corrigir falhas e orientar a implementação de práticas efetivas
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PAULO DUQUE
Consultor
A rastreabilidade se tornou um pilar essencial não apenas para a segurança alimentar e a credibilidade, mas também para a sustentabilidade e a agenda ESG (Ambiental, Social e Governança). Em um mercado cada vez mais regulado, globalizado e atento à origem dos alimentos, garantir o controle do campo ao consumidor final é um desafio estratégico para a competitividade do setor de carnes no Brasil.
A cadeia da carne, por exemplo, envolve múltiplos elos, desde a produção animal, passando pelo transporte, abate, processamento, armazenamento e distribuição. Cada etapa exige controle rigoroso de dados, cumprimento de normas sanitárias, ambientais e trabalhistas, além de padrões de qualidade cada vez mais exigentes pelos mercados interno e internacional. A rastreabilidade, portanto, vai muito além da adoção de sistemas tecnológicos: ela depende de processos bem estruturados, pessoas capacitadas e de uma visão sistêmica orientada à sustentabilidade.
Sob a ótica ambiental, a rastreabilidade na cadeia alimentar é uma ferramenta estratégica no combate ao desmatamento ilegal. Por meio do monitoramento da origem dos produtos e da qualificação dos fornecedores, é possível cruzar dados produtivos, geográficos e ambientais, garantindo que a produção não esteja associada a áreas irregulares. É preciso atuar de forma decisiva ao mapear riscos, orientar adequações e assegurar conformidade com a legislação ambiental e com compromissos de desmatamento zero, reduzindo riscos reputacionais e comerciais.
Outro aspecto cada vez mais relevante é o monitoramento das emissões de carbono ao longo da cadeia produtiva. Com dados confiáveis e bem estruturados, indústrias conseguem identificar etapas mais intensivas em emissões, apoiar inventários de gases de efeito estufa e desenvolver estratégias de mitigação. Nesse contexto, o ideal é transformar informações operacionais em inteligência estratégica, apoiando decisões alinhadas às metas climáticas e às exigências de investidores e mercados internacionais.
A rastreabilidade também favorece o uso racional de recursos naturais, como água, energia e insumos produtivos. Ao acompanhar cada etapa do processo, torna-se possível identificar desperdícios, padronizar operações e adotar práticas mais eficientes. A atuação consultiva auxilia na implementação de controles e tecnologias que promovem ganhos ambientais e econômicos, fortalecendo a eficiência operacional da cadeia. A adoção de boas práticas, o treinamento das equipes e a preparação para auditorias, contribuindo para elevar os padrões e agregar valor ao produto final, são medidas fundamentais.
Nesse cenário complexo, é necessário mapear processos, identificar riscos, corrigir falhas e orientar a implementação de práticas que garantam uma rastreabilidade efetiva. O trabalho começa no diagnóstico da operação, avaliando desde a origem da matéria-prima até os registros finais de expedição, assegurando que as informações sejam confiáveis, auditáveis e alinhadas às exigências legais, ambientais e de mercado.
Além disso, a crescente demanda por tecnologias, como sistemas de gestão integrados, automação de registros, códigos de identificação e soluções digitais de monitoramento em tempo real, reforçam o papel estratégico. Mais do que indicar ferramentas, é preciso garantir que essas soluções sejam corretamente implementadas, integradas aos processos existentes e compreendidas pelas equipes envolvidas.
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A rastreabilidade se consolida como um pilar de transparência para investidores, clientes e consumidores. Dados claros e auditáveis fortalecem a governança corporativa, ampliam o acesso a mercados e permitem uma comunicação mais consistente sobre compromissos ESG. Quando bem estruturada, a rastreabilidade fortalece a reputação da marca, amplia oportunidades comerciais e contribui para uma cadeia mais segura, sustentável, transparente e eficiente para todos os envolvidos.