Editorial

Trump mostra a que veio

No retorno à presidência, Trump cumpriu promessas de campanha e retomou projetos conservadores, sustentados pelo negacionismo, por políticas sociais excludentes

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O bilionário Donald Trump chegou ontem à Casa Branca para presidir pelos próximos quatro anos os Estados Unidos, a maior economia do mundo. No retorno à presidência, ele cumpriu promessas de campanha e, de imediato, retomou projetos conservadores, sustentados pelo negacionismo da ciência, pelo protecionismo, por políticas sociais excludentes, entre outros pilares polêmicos. Mostrou a que veio e que tem pressa para cumprir a controversa agenda.

Na cerimônia de posse, o republicano anunciou que, pela segunda vez, os Estados Unidos deixarão o Acordo de Paris, assinado por 196 países em 2015, para conter o aquecimento do planeta. Foi além: declarou que o país está em emergência nacional de energia e que, para enfrentá-la, vai "perfurar, perfurar" para ter "a maior quantidade de petróleo" do planeta. Um recado claro para líderes preocupados com a crise climática, incluindo o brasileiro, que será o anfitrião da próxima COP, em novembro, no Pará.

Outra urgência diz respeito à imigação. O republicano decretou emergência nacional na fronteira do sul, com deportação em massa de quem está em situação ilegal. Cerca de 2 milhões de brasileiros vivem nos Estados Unidos - a maior colônia estrangeira espalhada em diferentes estados norte-americanos -, e estimativas de 2022 indicam que em torno de 230 mil não têm documentação. Esses comporiam a parcela de estrangeiros denominada por Trump como "criminosos" e que, portanto, serão banidos do país. Especialistas também cogitam que, em função das medidas adotadas pelo repubicano, haja uma nova dinâmica migratória na região das Américas, com possíveis desdobramentos nos países de economias mais equilibradas.

Ainda na pauta humanitária, Trump estabeleceu que, a partir de agora, só dois gêneros - masculino e feminino - serão reconhecidos no país. O segmento LGBTQIAP+ será ignorado. Na prática, o conservadorismo do novo ocupante da Casa Branca reforça a homofobia e estimula, mesmo que não tenha sido explícito, a violência contra esse segmento em todas as sociedades.

As políticas protecionistas anunciadas pelo novo presidente estadunidense - entre elas, a taxação de importações - poderão afetar os países emergentes, como o Brasil, diante da valorização do dólar em relação às outras moedas. Com o dólar mais forte, haverá mais pressões inflacionárias no território nacional, obrigando o Banco Central a manter os juros mais altos e por um período mais prolongado, afetando o bolso do brasileiro e a atividade econômica. Vale lembrar que, antes mesmo da posse de Trump, a disparada da moeda americana tem sido alvo das críticas à política econômica do governo Lula, ofuscado, inclusive, bons resultados na área, como a baixa na taxa de desemprego.

Atrás da China, os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do mercado brasileiro. No ano passado, as exportações nacionais bateram recorde, somando US$ 40,3 bilhões, um valor histórico. Por todos esses motivos, enfraquecer as relações com o chefe da Casa Branca não faz sentido para o Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no discurso na primeira reunião ministerial do ano, acertou ao dizer que torce para que Trump "faça uma gestão profícua para que o povo americano melhore" e que "não quer briga". Como líder da mais importante nação do mundo, Trump tem como missão não só zelar pelo bem-estar da sociedade americana , mas agir para que o mesmo ocorra em todas as nações.

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