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Como reformar um estádio sem parar os jogos: o método usado na obra da Vila Belmiro

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Reformar um estádio costuma significar mandar os jogos para outro lugar por meses. Na Vila Belmiro, em Santos, a obra está sendo feita com o estádio em uso, o que transforma a reforma num problema de engenharia e de logística ao mesmo tempo.

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O retrofit tem projeto e execução do Grupo CPR, empresa de engenharia e incorporação com sede em São Paulo, e prevê a reconstrução das arquibancadas dos setores 8 a 16 em estrutura metálica, 72 camarotes novos, novo telhado e a reforma das cativas, com entrega completa prevista para novembro de 2027.

O desafio é maior porque o estádio é antigo. A Vila Belmiro completou 110 anos em 12 de outubro, e a obra mexe em estruturas com mais de meio século nas partes mais novas e com mais de cem anos nas mais antigas. O Grupo CPR responde pelo projeto, pela execução e pela gestão da obra, da coordenação de fornecedores à fabricação das estruturas metálicas; a legalização junto à prefeitura fica com o próprio clube.

1. Dividir a obra por setor

Em vez de abrir o estádio inteiro de uma vez, o cronograma avança setor por setor, e as áreas fora da frente de obra seguem recebendo público. Na Vila, os setores 8 a 12 já foram demolidos, e os setores 12 a 16 vêm na sequência.

2. Montar fora do estádio

A estrutura metálica dos setores em obra é montada na fábrica e só depois levada ao estádio. Painéis pré-fabricados e sistemas de montagem rápida reduzem o tempo de trabalho dentro da arena.

3. Usar as janelas entre jogos

Os içamentos acontecem nos intervalos entre partidas, sob um plano de segurança e operação feito para conciliar canteiro e evento.

“O Santos não para de jogar em casa durante a obra, então cada frente é planejada para não interferir no dia a dia do clube”, diz Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR. “É uma obra de engenharia e de logística na mesma medida.”

4. Resolver antes, no modelo digital

O projeto é desenvolvido em BIM, a modelagem digital que integra as disciplinas da obra e permite compatibilizar estrutura, instalações e acabamentos antes da execução, o que reduz o retrabalho no canteiro.

5. Cuidar do que não aparece

Numa estrutura com mais de 50 anos, a parte mais importante fica escondida: o tratamento das ferragens, a proteção catódica, a recomposição do concreto e as fundações profundas. “O torcedor vê o camarote, a cadeira nova e o gramado; o que faz diferença de verdade está escondido na estrutura”, afirma o executivo.

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O método vale para qualquer arena que não pode fechar: planejar por etapas, tirar do estádio tudo o que pode ser feito fora e deixar para os intervalos só o que exige o espaço livre. Na Vila, a meta é a que Ceni resume em poucas palavras: “Modernizar a Vila sem perder a Vila”.

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