Fundador da Verde Ghaia critica certificação decorativa e defende gestão prática
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A efetividade dos sistemas de gestão e a aplicação prática das certificações estão no centro das críticas de Deivison Pedroza, fundador da Verde Ghaia, ao analisar os desafios das empresas brasileiras em conformidade legal, sustentabilidade e segurança do trabalho. Para o empresário, certificados e relatórios só cumprem sua função quando se traduzem em decisões melhores e em rotinas seguras no dia a dia das organizações.
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Pedroza usa a expressão "certificação decorativa" para descrever sistemas que, em sua avaliação, priorizam o atendimento formal aos requisitos de auditoria sem contribuir de fato para as decisões e para as práticas cotidianas. "O mercado brasileiro de sustentabilidade cresceu em narrativa e encolheu em evidência. A gente aprendeu a fazer relatório bonito antes de aprender a fazer gestão que funciona", afirma.
Trajetória no monitoramento de conformidade legal
Pedroza fundou a Verde Ghaia em 1999 e construiu sua carreira no segmento de monitoramento de conformidade legal, que consiste em acompanhar as exigências aplicáveis à atividade de cada empresa. Ao longo dos anos, também desenvolveu atividades ligadas a publicações, palestras e investimentos. Em 2020, vendeu sua participação no negócio e passou a se dedicar a outras iniciativas empresariais, entre elas um empreendimento voltado à economia circular e ao aproveitamento de resíduos agroindustriais.
NR-1 amplia a discussão sobre gestão de riscos
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a incluir expressamente os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho no gerenciamento de riscos ocupacionais em 2026, ampliou o debate sobre as práticas adotadas pelas empresas. O tema envolve identificar e avaliar fatores ligados à organização do trabalho e adotar medidas preventivas compatíveis com os riscos encontrados.
A aplicação das novas disposições também se tornou objeto de controvérsia jurídica. Em 2026, o Supremo Tribunal Federal adotou medidas temporárias relativas a sanções associadas a dispositivos questionados da regulamentação. O alcance e a vigência dessas medidas devem ser considerados conforme os termos das decisões judiciais aplicáveis.
É preciso, porém, distinguir os planos. A discussão sobre sanções não deve ser confundida com a dispensa geral das obrigações de segurança e saúde no trabalho. As empresas continuam obrigadas a observar as normas aplicáveis à sua atividade e a acompanhar eventuais alterações regulatórias e decisões judiciais.
Para Pedroza, parte do mercado interpretou o cenário de forma equivocada. "Boa parte do mercado leu a suspensão como permissão para não fazer nada", afirma. Na avaliação do empresário, a preparação das organizações deve envolver processos, responsabilidades e práticas compatíveis com os riscos existentes, e não apenas documentação.
Da documentação à prática
Outro ponto destacado pelo fundador da Verde Ghaia é a importância de que os trabalhadores conheçam os procedimentos de segurança e os canais disponíveis para comunicar situações de risco. Segundo ele, a efetividade dos sistemas depende da capacidade de transformar requisitos formais em procedimentos compreendidos e efetivamente utilizados no ambiente de trabalho.
Na visão de Pedroza, o desafio das empresas é menos acumular certificados e mais demonstrar, com evidências, que os controles funcionam: que os riscos foram identificados, que há responsáveis definidos e que as pessoas sabem como agir diante de uma situação de perigo. É essa a distância, segundo ele, entre o papel e a prática.
A legislação trabalhista e as normas de segurança e saúde ocupacional estabelecem direitos e responsabilidades relacionados à prevenção de acidentes e à proteção dos trabalhadores, inclusive em situações de risco grave e iminente, observadas as condições previstas nas regras aplicáveis.
A discussão sobre certificações, portanto, envolve duas dimensões: o cumprimento dos requisitos aplicáveis e a avaliação de quanto esses requisitos contribuem, na prática, para a gestão e para a prevenção de riscos. É na segunda, segundo o empresário, que está o principal desafio.
Sobre Deivison Pedroza
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Deivison Pedroza é fundador da Verde Ghaia, empresa que atua no segmento de monitoramento de conformidade legal. Sua trajetória inclui iniciativas empresariais relacionadas à gestão, sustentabilidade e economia circular. Mais informações sobre a trajetória e os projetos do empresário estão disponíveis no site de Deivison Pedroza, e suas reflexões sobre gestão e sustentabilidade podem ser acompanhadas no Instagram @deivisonpedroza.