Avião desviado por emergência médica: com que frequência acontece e quem decide
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Quando um voo pousa fora do destino por causa de um passageiro, a notícia costuma chegar como exceção. Os números mostram uma frequência mensurável. Um estudo publicado em 2013 no New England Journal of Medicine analisou 11.920 emergências médicas em voos comerciais registradas por um centro de apoio médico em solo e chegou a uma frequência de uma a cada 604 voos, e o avião precisou ser desviado em 7,3% delas.
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A decisão de desviar vem depois de uma sequência que começa na cabine de passageiros, com o comissário. No CEAB, escola de aviação civil com 27 anos de mercado, os alunos passam por uma imersão na selva, com treinamentos práticos de sobrevivência, combate ao fogo e marinharia, pensada para manter pessoas vivas e o grupo organizado até a ajuda chegar.
Quem avalia e quem decide
Antes do chamado pelo sistema de som, a tripulação de cabine já chegou até o passageiro, fez a primeira avaliação e avisou a cabine de comando. A Lei 13.475, de 2017, conhecida como Lei do Aeronauta, dá ao comissário de voo a designação de tripulante de cabine e o define como auxiliar do comandante encarregado do cumprimento das normas relativas à segurança e ao atendimento dos passageiros a bordo. Ao comandante, a mesma lei atribui a responsabilidade pela operação e pela segurança da aeronave, o que inclui, na prática, decisões como a de pousar fora do destino para levar um passageiro a atendimento.
“Na selva, o aluno aprende que o resgate pode demorar e que alguém precisa manter o grupo de pé até ele chegar. No avião é igual: entre o primeiro sinal e o pouso, quem está ali para agir é a tripulação”, diz Salmeron Cardoso, diretor e CEO do CEAB.
Três frentes no atendimento
As ocorrências do estudo foram registradas a partir de chamadas feitas durante o voo a esse centro de apoio. Na prática, o atendimento a bordo pode combinar três frentes: a tripulação, que chega primeiro; o profissional de saúde que esteja entre os passageiros; e a orientação a distância, quando a companhia conta com esse serviço.
O perfil das emergências
Desmaio ou quase desmaio responderam por 37,4% dos casos, seguidos por sintomas respiratórios, com 12,1%, e náusea ou vômito, com 9,5%. Passageiros médicos ajudaram no atendimento em 48,1% das ocorrências. São informações como essas, colhidas a bordo, que ajudam a medir a gravidade do caso.
O que acontece depois
Depois do pouso, 25,8% dos passageiros atendidos foram levados a um hospital por equipes de emergência, 8,6% foram internados e 0,3% morreram. A proporção de internações e mortes é baixa, mas mostra por que o tempo entre o primeiro sinal e o atendimento em solo importa.
“O passageiro vê o comissário no serviço de bordo e acha que o trabalho é esse. A gente forma a pessoa para a hora em que alguém passa mal no corredor, e isso não se aprende só na teoria: se treina com o corpo até virar reflexo”, afirma o diretor.
O papel do passageiro
Avisar os comissários ao primeiro sinal de mal-estar, em vez de esperar melhorar, dá mais tempo para a avaliação. Informar doenças preexistentes e remédios de uso contínuo facilita o atendimento, e manter esses medicamentos na bagagem de mão evita que fiquem fora de alcance durante o voo.
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O desvio é a decisão mais visível de uma emergência a bordo, mas não a primeira. Antes dela, houve avaliação, comunicação com a cabine de comando e, muitas vezes, a ajuda de um médico entre os passageiros.