Capitão Roberto Farina ensina como preparar equipes para emergências
compartilhe
Uma emergência raramente avisa. Quando chega, a equipe que vai enfrentá-la já está pronta ou não está, e o que define a diferença é o que foi combinado antes. Essa é a principal lição que o Capitão Roberto Farina tirou de anos acompanhando crises de perto como porta-voz da Defesa Civil do Estado de São Paulo, das chuvas que devastaram o litoral norte paulista em 2023 às enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
No caso gaúcho, a tragédia afetou cerca de 2,4 milhões de pessoas e chegou a 478 dos 497 municípios do estado. Gente disposta a ajudar não faltava. O que faltava era organização para decidir.
Defina antes quem decide o quê
O primeiro passo é estabelecer a cadeia de comando antes da crise. Discutir quem manda no meio da emergência consome o tempo que deveria ir para a resposta.
“Crise não pede só gestão, pede liderança. E liderar sob pressão não pode depender apenas da intuição de quem está no comando nem da memória de quem estava lá”, afirma Farina.
Concentre a informação em um ponto só
O segundo cuidado é garantir que os dados cheguem a um único lugar. No Rio Grande do Sul, informações sobre abrigos, resgates e doações corriam por mensagens de celular, planilhas soltas e conversas, e ninguém tinha o quadro completo.
“No Rio Grande do Sul, a informação existia. O problema é que ela chegava picada, por mensagem, por planilha, por ligação, e cada equipe enxergava um pedaço diferente da mesma tragédia”, diz.
Uma planilha única, atualizada em horários fixos, vale mais do que dez grupos de mensagem com versões diferentes da mesma situação.
Combine os critérios enquanto a cabeça está fria
Quando tudo parece urgente, a equipe precisa saber de antemão o que pesa mais. Para escolhas difíceis, Farina recorre à Pesquisa Operacional, ramo da matemática aplicada cujos métodos de apoio multicritério à decisão comparam alternativas e deixam explícito o peso de cada critério.
“A Pesquisa Operacional não tira a decisão do líder. Ela organiza as alternativas, deixa claro o peso de cada critério e reduz o espaço para o viés na hora em que todo mundo está cansado e com medo de errar”, afirma.
Combine também como a equipe vai ser informada
Atualizações em horários previsíveis, mesmo quando não há novidade, seguram a confiança de quem está na linha de frente.
“Numa crise, a equipe aguenta notícia ruim. O que ela não aguenta é silêncio. Dizer o que se sabe, o que ainda não se sabe e quando vai haver nova atualização é o que mantém a confiança”, explica.
Registre enquanto acontece
O último passo é guardar o que foi decidido e por quê, ainda durante a operação, e fazer uma revisão ao final com quem esteve em campo. Foi a perda desse aprendizado que levou Farina a escrever a dissertação “O papel da informação na gestão do conhecimento em desastres naturais: o caso da Defesa Civil de São Paulo na tragédia do Rio Grande do Sul”, defendida e aprovada em 2026 no Mestrado em Administração da ESPM.
“Quando a operação termina e as equipes voltam para casa, muito do que se aprendeu volta junto, na cabeça de cada um. Se ninguém registra e organiza, a próxima crise começa do zero”, conta Farina.
Equipe preparada começa pela chefia
Esse roteiro só funciona se houver alguém preparado para conduzi-lo. Por isso, o Grupo NEOeX, que tem experiência na segurança de shopping centers, oferece treinamento para capacitar profissionais de segurança privada a assumir cargos de liderança e chefia, com conteúdos de gerenciamento de crise, comunicação, análise de risco e tomada de decisão.
“O que aprendi na Defesa Civil só faz sentido se eu conseguir passar adiante. Formar quem vai estar no comando na próxima crise é a melhor forma de fazer isso”, diz Farina.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Para preparar uma equipe para emergências, o caminho que Farina propõe tem cinco passos: definir quem decide, centralizar a informação, combinar critérios, comunicar em ritmo fixo e registrar tudo. Mais informações sobre os treinamentos estão no site do Grupo NEOeX.