Notícias

O efeito prensa: a assustadora crise de engajamento da liderança

Publicidade
Carregando...

Quando a economia desafia ou as promessas da IA geram pressa nos conselhos de administração, um dos primeiros movimentos costuma ser achatar as estruturas gerenciais para cortar custos imediatos.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Sob a justificativa elegante de criar organizações mais ágeis e horizontais, muitas empresas eliminam níveis intermediários de gestão e inflam as responsabilidades dos líderes sobreviventes.

A pesquisadora em liderança Danieli Wegermann menciona que muitas vezes o resultado desse movimento não é a agilidade, mas o que ela chama de Efeito Prensa: uma compressão dupla sobre a média gestão, esmagada entre a cobrança implacável do C-level e a demanda crescente das equipes por acolhimento.

Ela explica que as organizações parecem operar sob "a premissa ingênua de que o líder é uma fonte inesgotável de motivação, um super-herói corporativo imune ao ambiente. No entanto, o relatório State of the Global Workplace, da Gallup, revelou que a ação da criptonita sobre a liderança atingiu níveis alarmantes.".

O engajamento da liderança caiu nove por cento nos últimos três anos, restando apenas 22% dos gestores verdadeiramente comprometidos com o trabalho.

A professora adverte que o problema de um gerente desengajado é o poder de contaminação. Como a liderança direta responde por até 70% da do clima do time, um líder desmotivado projeta apatia na operação, gerando um colapso de produtividade.

Se o objetivo é construir uma liderança de elite capaz de performar sob alta pressão, explica a especialista, é necessário que se entenda que a resiliência não é um traço imutável ou algo que surge naturalmente com o passar dos anos.

O capital psicológico de uma organização pode ser trabalhado por meio de quatro dimensões que, curiosamente, formam o acróstico HERO (Psychological Capital' - Oxford University Press) e podem ser utilizados como ferramentas diárias de gestão, como explica a instrutora:

• Hope (Esperança): no ambiente corporativo, esperança não é torcer para o cenário melhorar, mas treinar a mente para enxergar saídas. A prática consiste em institucionalizar o rito do "e se...?". Ao desenhar um projeto, crie pelo menos duas rotas alternativas de execução paralelas. Assim, a equipe não paralisa em frustração; ela simplesmente ativa a rota B, mantendo a velocidade e a autonomia.

• Efficacy (Autoeficácia): sob a pressão, o cérebro humano foca apenas no que está falhando, gerando a sensação de incompetência. Para construir um time de elite, o líder deve aplicar a técnica do Mapeamento de Evidências. Abra as reuniões semanais instigando que cada liderado aponte um problema complexo resolvido com maestria. Esse ritual força o time a auditar as próprias competências, resgatando a convicção técnica e a segurança psicológica necessárias para tomar decisões sob estresse.

• Resilience (Resiliência: resiliência não é aguentar o tranco calado; é a velocidade com que o time se recupera e aprende com o tombo. Quando um projeto falhar, em vez de buscar culpados, faça três perguntas à equipe (e a si mesmo): "o que o cenário nos ensinou?", "quais vulnerabilidades internas foram expostas?" e "como usamos esse erro para blindar a próxima entrega?". Isso transforma o erro em um laboratório de aprendizado.

• Optimism (Otimismo): diante de uma crise líder deve blindar o clima do time ao fragmentar o erro em três variáveis: temporalidade (mostrar que é algo específico, não permanente), especificidade (limitar a falha a um projeto, e não à capacidade do time) e mutável (focar nas ações sob controle do time para transformar o cenário). Ao expor que a crise tem contorno e tamanho definidos, o líder foca a energia do time na solução.

Liderar sob o Efeito Prensa é uma escolha diária entre ceder ao esgotamento ou assumir o papel de regulador estratégico. Na física das organizações, a pressão extrema tem apenas dois destinos possíveis: ela pode reduzir a estrutura ao pó ou lapidar e formar os diamantes que liderarão o futuro dos negócios.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Danieli Wegermann é pesquisadora em liderança, autora, palestrante, professora de MBA e fundadora da Learnability School. Há 15 anos atua na interseção entre liderança, gestão de pessoas e negócios, somando mais de 40 mil horas no desenvolvimento de líderes.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay