Como escolher uma consultoria de investimentos: três perguntas antes de contratar
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Escolher uma consultoria de investimentos ficou mais difícil, mas o motivo é positivo: há muito mais opções. O número de consultorias registradas na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) mais que dobrou em cinco anos, de 261 em 2020 para 593 em 2024, segundo dados da Mont Capital divulgados pelo NeoFeed, e o total de consultores pessoa física chegou a 2.433 em julho de 2026, com crescimento entre 22% e 27% ao ano desde 2023, conforme levantamento nos cadastros públicos da CVM. No entanto, a mesma reportagem que registrou a duplicação projetou que metade das novas casas não deve sobreviver sem escala.
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O registro na CVM garante que a consultoria cumpre os requisitos da Resolução CVM 19: orientação independente e individualizada, remunerada pelo cliente, sem vínculo com quem emite ou distribui os produtos. Por outro lado, não assegura a capacidade de análise própria, principal ponto de diferenciação das casas, segundo Leandro Siqueira, sócio-fundador da VAROS, consultoria de investimentos autorizada pela CVM.
"Abrir uma consultoria ficou fácil. Sustentá-la é outra conversa. Quem não tem análise própria acaba revendendo relatório dos outros e aí o cliente pergunta, com razão, pelo que está pagando. A barreira do setor agora é o research, e não mais o registro", explica Leandro Siqueira, sócio-fundador da VAROS.
A primeira pergunta antes de contratar é sobre remuneração. O consultor é pago pelo cliente, em geral por um percentual sobre o patrimônio, e está impedido de receber comissão por qualquer produto de investimento que ele ofereça. O assessor de investimentos, regulado pela Resolução CVM 178, é pago pela corretora ou pelo banco, e um mesmo profissional não pode exercer as duas atividades.
A segunda pergunta é sobre research: quem faz a análise, se há analistas certificados na casa e que setores cobrem. Parte das novas consultorias opera sobre relatórios de terceiros e plataformas de custódia de grandes corretoras, o que barateia a abertura, mas dificulta fazer uma entrega realmente personalizada para os diferentes objetivos de cada cliente.
A terceira é sobre incentivo: se o cliente trocar um fundo por outro mais barato, o que muda para o profissional? Na consultoria, nada, porque a receita é o fee. No modelo comissionado, a remuneração pode mudar e, desde novembro de 2024, esse valor aparece no extrato trimestral exigido pela Resolução CVM 179.
"Para quem está escolhendo, são três perguntas: se existe conflito de interesse desse profissional, como ele é remunerado e quem está mais alinhado aos meus objetivos. As respostas separam os modelos melhor do que qualquer apresentação", afirma Siqueira.
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O público para quem a consultoria faz mais sentido também tem um perfil: a faixa entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões de patrimônio, segundo a VAROS, concentra os investidores que terão mais benefícios ao optar por esse modelo.