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Gasto de grandes empresas com IA salta de US$ 1,2 mi para US$ 7 mi em dois anos

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O orçamento anual médio de uma grande empresa com inteligência artificial passou de US$ 1,2 milhão em 2024 para US$ 7 milhões em 2026, de acordo com levantamento da FinOps Foundation. Em dois anos, o valor ficou quase seis vezes maior. A maior parte desse gasto não estava prevista na proposta que as empresas assinaram quando contrataram as ferramentas.

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Para Guilherme Friol, CEO da Vircos, empresa de engenharia de inteligência artificial corporativa, o número é um alerta para quem ainda está na fase de contratação. Segundo ele, o custo de uma IA contratada não se resume à mensalidade. Ele depende também do consumo variável, das mudanças de preço ao longo do contrato e do valor necessário para sair do fornecedor mais adiante.

Episódios de orçamento estourado

O avanço da despesa já aparece em casos concretos. A Uber estabeleceu um teto mensal por funcionário e por ferramenta de codificação depois de consumir, em quatro meses, o orçamento de IA previsto para o ano inteiro. No GitHub, a migração do Copilot para cobrança por consumo gerou reclamações de usuários que esgotaram os créditos mensais em poucas horas.

Na avaliação de Friol, esses episódios revelam uma falha que se repete na hora da decisão. O comitê que escolhe entre uma solução pronta e uma construída sob medida costuma receber um comparativo entre um custo conhecido, a mensalidade, e um custo estimado, o projeto. A parcela variável fica de fora e só se manifesta depois da assinatura.

“A pergunta que quase ninguém faz na hora de assinar não é quanto custa por mês. É quanto custa sair daqui em três anos”, afirma Friol.

O que acontece depois de assinar

Entre 2025 e 2026, parte relevante do mercado de software corporativo trocou o licenciamento por usuário por modelos híbridos, que somam um componente de consumo à assinatura. Empresas que haviam orçado o gasto pelo número de assentos passaram a pagar pelo volume processado, sem que o escopo contratado tivesse mudado. Para a área financeira, isso cria uma despesa difícil de projetar.

“Quando você compra inteligência artificial por assinatura, o fornecedor sabe exatamente qual é o custo marginal de cada resposta que você consome. Você não sabe. Toda renegociação começa com essa assimetria”, diz o executivo.

O custo de saída também cresce com o tempo de uso. À medida que mais processos passam pela ferramenta, aumenta o volume de dados históricos, regras de negócio e configurações guardados em um ambiente do fornecedor. Segundo Friol, trocar de fornecedor no terceiro ano custa uma ordem de grandeza a mais do que trocar no primeiro.

Como se preparar antes de contratar

Para evitar surpresas, o CEO da Vircos aplica um cálculo de custo total de propriedade em uma janela de 36 meses. A conta reúne sete itens: a mensalidade contratada, o reajuste previsto em contrato, a cobrança variável por consumo, a integração inicial, a manutenção dessa integração a cada atualização relevante do fornecedor, o treinamento das equipes internas e o custo de saída.

Friol ressalta que o raciocínio não condena a compra. Segundo ele, comprar é a decisão financeiramente correta em três situações: quando o processo é idêntico em qualquer empresa do mundo, quando há exigências de conformidade que o fornecedor já entrega certificadas e quando o prazo de implantação vale mais do que a economia de longo prazo.

“Tem caso em que comprar é a decisão óbvia. Se o processo é igual em todas as empresas do mundo, construir é vaidade”, resume.

Quando a compra for o caminho, ele recomenda incluir no contrato quatro proteções: teto de reajuste indexado, portabilidade de dados e configurações em formato aberto, aviso prévio mínimo para descontinuação ou alteração relevante do modelo e definição de quem arca com o custo se o fornecedor trocar a tecnologia por outra mais cara. Nenhuma dessas cláusulas é padrão de mercado, mas todas podem ser negociadas antes da assinatura.

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Diante de um orçamento que quase sextuplicou em dois anos, a recomendação é olhar além da mensalidade. Para Friol, a parte do gasto que mais cresce é justamente a que não constava da proposta, e ela só entra no planejamento quando a empresa faz a conta completa antes de contratar.

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