Consultoria de investimentos sem comissão: como funciona o modelo em que o cliente paga, e por que isso muda a recomendação
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Existe no Brasil um profissional de investimentos proibido de receber comissão. É o consultor de valores mobiliários, regulado pela Resolução CVM 19, remunerado diretamente pelo cliente e impedido de receber de terceiros qualquer valor que possa comprometer sua independência. Esse é o modelo da VAROS, consultoria de investimentos autorizada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que atende investidores de alta renda com fee sobre o patrimônio, sem comissão de banco, corretora ou gestora.
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O funcionamento é simples: o cliente contrata a consultoria e paga um percentual anual definido em contrato sobre o patrimônio acompanhado. O consultor analisa a carteira, recomenda alocação e acompanha, sem receber nada dos produtos que indica. Isso significa que, se um fundo tem taxa de administração menor do que outro, não há motivo para o profissional preferir o mais caro.
"A consultoria cobra um percentual sobre o patrimônio, combinado em contrato, e é só isso. Se a carteira cresce, a gente ganha junto; se não cresce, a conta é menor. É o único modelo em que o custo aparece antes da decisão, e não três meses depois dela", afirma Leandro Siqueira, sócio-fundador da VAROS.
A diferença para o modelo comissionado está em quem paga. O assessor de investimentos, regulado pela Resolução CVM 178, é remunerado pelo intermediário que distribui os produtos e esse custo fica embutido na taxa do fundo, no spread do título ou na comissão da emissão. Devido à pouca transparência, desde novembro de 2024, a Resolução CVM 179 obriga o intermediário a informar esse valor em extrato trimestral.
"Se o profissional é remunerado por quem emite ou distribui o produto, o incentivo dele está do lado da prateleira. Se ele é remunerado pelo cliente, o incentivo está do lado da carteira. Quem paga o profissional define o que ele recomenda, e isso vale para qualquer mercado", diz Siqueira.
O modelo sem comissão não é indicado para todo investidor. Para patrimônios pequenos, o fee pode pesar mais do que o custo embutido, além de o modelo distribuído seguir sendo a porta de entrada do mercado. A consultoria passa a fazer sentido a partir de R$ 100 mil a R$ 300 mil, quando a carteira já reúne crédito privado, fundos estruturados e decisões de sucessão.
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Antes de contratar qualquer um dos dois modelos, vale pedir ao profissional o extrato trimestral, no caso do assessor, ou o contrato de fee, no caso do consultor, e comparar os dois números lado a lado.