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Eletroposto não vive de energia: o modelo que trata a recarga como varejo

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Quem olha um eletroposto e enxerga só a venda de energia está lendo o negócio errado. É essa a tese por trás da Rota BR 101, rede de eletropostos com conveniência completa desenhada para o corredor litorâneo da BR-101, cujo modelo trata cada unidade como um ponto de varejo com mais de dez frentes de receita: recarga, conveniência completa, souvenirs, assinaturas de conteúdo e de serviços, e-commerce, aluguel de bicicletas, mídia digital em painéis de LED, reciclagem, rede de fornecedores, logística e crédito de carbono, entre outras.

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A engrenagem é encadeada. A recarga gera fluxo de veículos. O tempo de carregamento, de 20 a 40 minutos nos equipamentos rápidos, gera permanência. E a permanência gera consumo dentro da unidade, da cafeteria à mídia. A recarga é o atrativo que traz o carro, não a linha única do caixa. A referência é conhecida: o eletroposto ocupa na rodovia o lugar que o posto de combustível ocupou por décadas, só que com muito mais acontecendo em volta do abastecimento. A estrutura tampouco é exclusiva do carro elétrico: a conveniência completa vai da cafeteria a vestuário, itens pet e artigos de viagem, e o cenário-base prevê mais de 150 clientes passantes por dia em cada unidade, motorista elétrico ou não.

“O que a gente vende é tempo e conforto. Enquanto o carro carrega, o que seria apenas uma parada rápida vira uma experiência completa, com todos os serviços que o viajante precisa. Quem entende de ponto comercial e de padrão de rede enxerga a estrada como uma malha de unidades, e é assim que a Rota BR 101 foi desenhada”, resume Alex Cardoso, fundador da Rota BR 101 e nome conhecido no mercado de franchising e varejo. Ele transpôs para a infraestrutura o raciocínio de quem abre unidades em escala: ponto comercial analisado um a um, formato padronizado, operação replicável.

No papel, a rede começa com 20 eletropostos próprios ao longo do corredor. Cada um ocupa cerca de 3.000 m², opera 24 horas e reúne cinco torres de recarga rápida com potências de 120 kW a 360 kW, dimensionadas do carro compacto ao de luxo, além de conveniência completa com cafeteria e lounge com paisagismo. Cada unidade deve gerar de 25 a 35 empregos diretos. A expansão planejada chega a 200 unidades, todas construídas do zero.

O mercado dá o pano de fundo. O Brasil emplacou 215.023 veículos eletrificados no primeiro semestre de 2026, alta de 125% sobre o ano anterior, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), com recorde de 18,3% de participação nas vendas de junho. A rede pública de recarga, de 25,4 mil pontos, segue concentrada nos grandes centros, e o país tem cerca de 19,6 veículos recarregáveis para cada ponto disponível.

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Para quem avalia o setor, a lição é menos sobre energia e mais sobre varejo: o cliente do eletroposto não compra quilowatt. Compra meia hora bem gasta.

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