Para a empresa média, o pacote de benefícios virou um problema de gestão, não de orçamento
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Em uma empresa de grande porte, administrar cinco fornecedores de benefícios é tarefa de uma equipe. Em uma empresa de duzentos funcionários, é tarefa de uma pessoa que também cuida de folha, admissão, desligamento e relação sindical. É aí que o modelo fragmentado deixa de ser ineficiente e passa a ser inviável.
Onde o custo realmente está
A conta que uma diretoria costuma olhar é a do valor pago por benefício por colaborador. A conta que raramente é feita é a da operação: horas de conciliação de faturas, tempo gasto em atendimento a dúvidas de colaborador sobre qual aplicativo usa o quê, retrabalho de cadastro a cada admissão e desligamento multiplicado pelo número de fornecedores.
Em empresas médias, essa segunda conta com frequência supera a economia obtida ao escolher o fornecedor mais barato de cada categoria.
O que a abertura regulatória permitiu
A consolidação virou possível porque o sistema se abriu. A Lei 14.442, de 2022, e o Decreto 11.678, de 2023, admitiram os arranjos abertos no Programa de Alimentação do Trabalhador, permitindo a entrada de fintechs e plataformas de tecnologia em um sistema que atende mais de 20 milhões de trabalhadores. Com isso, surgiram plataformas que reúnem alimentação, saúde, descontos e cashback na mesma interface.
O mercado que está em jogo é grande: cerca de R$ 150 bilhões ao ano, com crescimento estimado acima de 9% ao ano.
“A empresa média não perde dinheiro escolhendo o benefício errado. Perde administrando cinco contratos com uma pessoa só no RH. O que ela compra quando consolida não é desconto, é tempo de gente”, afirma Sonia Cardoso, CEO da Voxcare
O recorte mineiro
Minas tem uma base industrial e de serviços fortemente composta por empresas de porte médio, muitas delas fora da região metropolitana e com estruturas administrativas enxutas. É o perfil em que o custo operacional do pacote fragmentado pesa mais e em que a consolidação tende a ser adotada primeiro, não por sofisticação, mas por necessidade.
O contraponto
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Consolidar tem um custo que costuma ser subestimado: a dependência de um fornecedor único. Se a plataforma falha, falha tudo ao mesmo tempo, e a troca deixa de envolver um contrato para envolver a operação inteira. Vale checar, antes de assinar, condições de saída, portabilidade dos dados de utilização e o que acontece com saldos acumulados no encerramento.