El Niño a caminho: como o pequeno produtor mineiro pode irrigar sem travar caixa
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Minas Gerais entra na safra 2026/27 sob um alerta que já é conhecido do produtor rural, mas que ganha contornos mais graves neste ano. Em 19 de junho, INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM divulgaram nota técnica conjunta apontando probabilidade superior a 95% de persistência das condições de El Niño no segundo semestre de 2026, com potencial de intensidade forte a muito forte e possibilidade de extensão até o início de 2027. Para o pequeno e médio produtor mineiro, a diferença entre atravessar bem esse período ou perder a safra pode estar menos na sorte do clima e mais na forma como o sistema de irrigação é planejado.
Pequenos produtores enfrentam mais dificuldade, aponta FGV
Guilherme Bastos, professor da Fundação Getulio Vargas e ex-secretário do Ministério da Agricultura, observa que pequenos e médios produtores enfrentam mais dificuldades diante do fenômeno do que os grandes, que costumam chegar mais preparados. Segundo ele, a diferença não está na competência de quem produz, e sim no acesso a crédito, a seguro e a projeto técnico. A FGV, pelo professor Eduardo Assad, projeta que um evento forte pode reduzir de 7% a 10% a produção de soja, milho, café e laranja, culturas com forte presença no estado.
O gargalo está na condução, não na bomba
Um erro comum em projetos de irrigação para pequenas propriedades é concentrar a atenção na motobomba e ignorar a tubulação. Diâmetro subdimensionado gera perda de carga, o que exige bomba maior e eleva o consumo de energia todo mês, corroendo a rentabilidade que a irrigação deveria trazer.
"A pergunta que mais recebo é sobre potência de bomba. Quase sempre a resposta certa está no diâmetro do tubo, que ninguém pergunta. Um projeto bem dimensionado na condução costuma custar menos e gastar menos energia do que um projeto que compensa tubo fino com bomba grande", destaca Thiago Rosa, Diretor Comercial da Asperbras.
Modular é mais barato do que começar certo de uma vez
Para o produtor mineiro que não tem estrutura para um investimento fechado, existe caminho intermediário: os sistemas móveis, que atendem uma área por vez e se deslocam conforme a estação, com tubos unidos por acoplamento mecânico em vez de solda química. Na prática, o produtor pode irrigar uma área nesta safra, desmontar e remontar em outra gleba na seguinte, imobilizando capital em estrutura fixa apenas quando o retorno já estiver comprovado na própria lavoura.
Material fora de especificação custa caro depois
O Tubo de irrigação trabalha sob pressão, sol e ciclos de montagem, e é justamente nesse ponto que a economia de curto prazo cobra o preço mais alto. Material certificado, fabricado dentro das normas técnicas do setor, faz a diferença entre um sistema que dura dez safras e um que rompe no pico da demanda hídrica. Fabricantes que operam a linha completa, de DN15 a DN500 em tubos e de DN15 a DN150 em conexões, permitem ao produtor mineiro comprar o sistema inteiro compatível, sem adaptação improvisada entre marcas.
A janela de decisão é agora
O plantio da safra 2026/27 se concentra entre setembro e outubro, e dimensionar projeto, comprar, montar e testar pressão consome semanas. Quem decide em setembro já está decidindo para 2027, com a agravante de que a demanda por tubulação tende a se concentrar no mesmo trimestre em todo o país, tornando o prazo de entrega tão relevante quanto o preço.
Bastos também aponta caminhos de política pública: seguros paramétricos e mecanismos estaduais para alcançar quem não tem acesso ao Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) ou a seguros privados, além de mapas de risco articulados entre estados e municípios.
Uma indústria que também começou pequena
A Asperbras foi fundada em 1985 por Francisco Colnaghi em Penápolis, no interior de São Paulo, e hoje opera seis plantas industriais em São Paulo, Rio Grande do Norte e Bahia, com capacidade de 60 mil toneladas por ano de PVC e 14 mil toneladas por ano de PEAD.
"Quem começou pequeno entende o produtor que está começando pequeno. O erro do setor foi tratar irrigação como produto de grande escala. Ela é infraestrutura, e infraestrutura se constrói por etapas", afirma Francisco Carlos Jorge Colnaghi, Vice-Presidente do Conselho de Administração da Asperbras.
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Para o produtor mineiro, a lição vale além da irrigação: quem trata a proteção contra o clima como investimento modular converte um evento climático em vantagem estrutural. Quem espera o evento para decidir, decide no pior preço e no pior prazo.