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Empresa gaúcha mostra caminho para captar R$ 80 milhões no mercado de capitais

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Toda empresa de médio porte chega a um momento em sua trajetória em que precisa acessar o mercado de capital para financiar seu crescimento, deixando de depender somente de recurso próprio e crédito bancário. Esse ambiente não distingue os negócios por porte ou por região e faz as mesmas exigências realizadas para grandes companhias do país.

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Uma operação nascida no litoral gaúcho

A D1 Empreendimentos, incorporadora do litoral norte do Rio Grande do Sul, passou por essa transição ao emitir CRIs (Certificado de Recebíveis Imobiliários) vinculados ao Occhi Marina Club, empreendimento às margens da Lagoa dos Quadros, em Capão da Canoa. A operação foi estruturada pela Monte Bravo e securitizada pela Canal Companhia de Securitização. No total estabelece a captação de até R$ 80 milhões em três séries, sendo que um fundo de investimento já subscreveu e integralizou a primeira, de R$ 20 milhões.

Foram sete meses do início da conversa com as casas estruturadoras à liquidação da série inicial. Mas o tempo é secundário em relação à preparação necessária, e essa é uma recomendação para empresas que pensam em seguir caminho parecido.

O que a empresa já tinha e o que precisou construir

Antes do aceite do financiamento de uma operação como essa, investidores e estruturadores observam mais do que os números. Há análise de contratos, histórico de entregas, estrutura societária e qualidade da informação produzida pela empresa. É comum ver empresas de crescimento rápido com obra de qualidade e informação desorganizada, o que gera o travamento de muitas operações.

A D1 já tinha três exigências atendidas: demonstrações financeiras consistentes ao longo dos anos, contratos de venda padronizados e digitalizados, e histórico comprovado de cronogramas cumpridos. Ainda havia duas a construir especialmente para a operação: a criação de uma SPE (sociedade de propósito específico) específica para o empreendimento, a fim de separar fluxos financeiros e garantias, e a capacidade de elaborar relatórios detalhados, conforme a prestação de contas que acompanha esse tipo de captação exige.

"Para esse tipo de empreendimento, um condomínio de lotes, não encontramos no crédito bancário um produto capaz de financiar a operação. O CRI nos deu uma estrutura juridicamente adequada ao projeto e, na nossa avaliação, com custo inferior às alternativas bancárias usuais. Em troca, passamos a operar com uma rotina permanente de garantias, medições, relatórios e controles", conta Juliano Jordani, CFO da D1 Empreendimentos.

A rotina que vem depois da captação

Os compromissos continuam após a operação ser firmada. Medições periódicas da obra, verificação da destinação dos recursos por um agente fiduciário e auditoria independente das demonstrações financeiras do patrimônio separado são atividades que passam a existir. A informação produzida isoladamente, apenas quando alguém pedia, passou a cumprir um calendário fixo.

Para Duani Minosso Teixeira, fundador e sócio-diretor da D1 Empreendimentos, a estruturação aperfeiçoou o nível de análise sobre contratos, informações financeiras e histórico de execução. O processo ainda exigiu que a disciplina interna da empresa ficasse visível para agentes externos. Considerando os custos fixos da estruturação, operações desse gênero costumam compensar quando o volume total da captação completa é superior a R$ 50 milhões, sem considerar apenas a primeira série. Por isso, na avaliação da D1, compensou.

Esse tipo de operação não tem piso regulatório, o que significa que cada empresa deve analisar prazo, taxa, garantias e governança levando em conta as alternativas de crédito disponíveis para sua realidade.

A D1 e a Allgayer são sócias no desenvolvimento e na execução do Occhi Marina Club. O empreendimento foi premiado na categoria Empreendimento Residencial de Grande Porte do Sinduscon Premium 2025. O cenário atual também demonstra o aquecimento do mercado da região: o litoral norte gaúcho registrou um volume estimado de negócios imobiliários com base no ITBI de R$ 3,74 bilhões no primeiro semestre de 2026, recorde para o período, de acordo com o Sinduscon-RS.

"É a prova de que um projeto nascido no litoral norte pode acessar os mesmos instrumentos das grandes incorporadoras do país", comenta Teixeira.

A preparação para essa captação de recursos começou muito antes da conversa com o investidor. Seu início ocorreu com os contratos padronizados, as informações financeiras organizadas e o histórico de entregas bem estabelecido ao longo dos anos. Para empresas médias que querem diversificar suas fontes de financiamento, fica essa lição.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não constitui oferta, recomendação ou solicitação de investimento em valores mobiliários.

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