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IA amplia precisão na seleção embrionária e na preservação da fertilidade

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IA amplia precisão na seleção embrionária e na preservação da fertilidade

O avanço da inteligência artificial já começa a mudar a rotina de laboratórios de fertilização in vitro em diferentes partes do mundo. Em meio ao crescimento da maternidade tardia, da procura por congelamento de óvulos e do aumento dos tratamentos de reprodução assistida, sistemas capazes de acompanhar o desenvolvimento embrionário em tempo real passaram a auxiliar especialistas na escolha de embriões com maior potencial de implantação.

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Hoje, parte dos embriões produzidos em clínicas de fertilização já permanece em incubadoras equipadas com inteligência artificial. A tecnologia registra milhares de imagens durante os primeiros dias de desenvolvimento embrionário e utiliza algoritmos para identificar padrões associados a melhores chances de evolução. A partir dessa análise, os embriões recebem pontuações que ajudam os embriologistas no processo de seleção para transferência.

O tema vem sendo estudado internacionalmente há pelo menos cinco anos, entre 2020 e 2025, em pesquisas que avaliam até que ponto a inteligência artificial pode auxiliar na redução de falhas em tratamentos de fertilização in vitro.

Um dos estudos mais relevantes sobre o tema, publicado na revista científica Fertility and Sterility em 2025, analisou 68.471 embriões e validou a utilização da IA como ferramenta complementar na seleção embrionária. Segundo os pesquisadores, os embriões classificados com melhores scores pelo sistema apresentaram maiores taxas de implantação quando comparados à avaliação convencional isolada.

Outra pesquisa prospectiva, publicada na Reproductive Biomedicine Online em 2023 e repercutida internacionalmente ao longo de 2026, mostrou taxa de implantação de 80,87% nos ciclos em que houve auxílio da inteligência artificial, contra 68,15% na avaliação manual tradicional.

Mais recentemente, um estudo publicado na revista científica Human Reproduction apontou que ferramentas baseadas em deep learning podem contribuir para reduzir o tempo até o nascimento com sucesso em tratamentos de fertilização in vitro, tornando a seleção embrionária potencialmente mais eficiente.

Apesar dos resultados considerados promissores, especialistas da área reforçam que a inteligência artificial ainda não substitui a experiência humana dentro dos laboratórios.

Segundo o ginecologista e obstetra Dr. Vinícius Bassega, especialista em reprodução assistida e membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, a tecnologia deve ser vista como uma ferramenta complementar dentro de um processo biologicamente complexo.

"Hoje já utilizamos incubadoras com inteligência artificial capazes de acompanhar o desenvolvimento embrionário e atribuir pontuações aos embriões com base em padrões celulares. Isso ajuda na análise embrionária, mas a decisão não depende apenas da tecnologia", explica.

Para o especialista, embora exista um avanço importante na capacidade de análise dos sistemas automatizados, ainda há necessidade de validação científica contínua e acompanhamento de longo prazo.

"A inteligência artificial aparentemente faz parte do futuro da reprodução assistida. Hoje ela já possui aplicações práticas importantes dentro dos laboratórios, principalmente na seleção embrionária. Mas ainda existem áreas que precisam de mais estudos e comprovação científica antes de qualquer conclusão definitiva".

Bassega também destaca que a reprodução assistida envolve fatores biológicos que vão além da capacidade preditiva dos algoritmos.

"A tecnologia pode ajudar a reduzir subjetividades e identificar padrões difíceis de serem percebidos visualmente. Mas reprodução humana não é um processo totalmente previsível. Existem fatores genéticos, hormonais, uterinos e emocionais envolvidos".

Nos bastidores da medicina reprodutiva, o avanço da IA também levanta discussões éticas e regulatórias. Embora os estudos mostrem melhora em desfechos laboratoriais e taxas de implantação, muitos modelos ainda foram desenvolvidos com dados retrospectivos e precisam de validação multicêntrica mais ampla antes de serem incorporados de maneira padronizada à prática clínica.

"O mais importante é entender que a inteligência artificial deve funcionar como apoio ao trabalho médico e embriológico, não como substituição da experiência humana", afirma o especialista.

A discussão ganha força em um momento em que cresce o número de mulheres que recorrem ao congelamento de óvulos como estratégia de preservação da fertilidade. Em muitos casos, a decisão surge em meio a questões relacionadas à carreira, estabilidade emocional, planejamento familiar e medo da perda do potencial reprodutivo ao longo do tempo.

"O congelamento de óvulos não representa garantia de gravidez futura, mas sim preservação de uma possibilidade reprodutiva", explica Bassega. "O papel da medicina é ajudar mulheres e também casais homoafetivos a tomarem decisões com informação de qualidade, acolhimento e expectativas realistas".

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Enquanto os algoritmos avançam dentro dos laboratórios, especialistas reforçam que o futuro da reprodução assistida provavelmente dependerá da combinação entre tecnologia, validação científica e acompanhamento humano cuidadoso, especialmente em uma área que envolve não apenas dados laboratoriais, mas também expectativas, frustrações e decisões profundamente pessoais.

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