Raquel Mendes transforma experiência em método de educação financeira
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O avanço dos investimentos entre pessoas físicas, impulsionado pela digitalização dos serviços financeiros e pela maior oferta de produtos, não foi acompanhado pela evolução do conhecimento financeiro da população brasileira. Dados do Banco Central, elaborados com base na metodologia da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apontam que o índice médio de letramento financeiro do brasileiro é de 59,6 pontos em uma escala de 0 a 100, indicando limitações na compreensão de conceitos como planejamento financeiro, investimentos e gestão do endividamento.
O cenário ajuda a explicar a expansão do mercado de educação financeira no país. Levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) mostra que apenas 21% dos brasileiros participaram de algum curso ou treinamento sobre finanças pessoais, enquanto cerca de um terço da população ainda não possui reserva financeira para emergências. Ao mesmo tempo, cresce o número de empresas, especialistas e metodologias voltadas à formação financeira, em um mercado impulsionado pela demanda por conhecimento prático e mudança de comportamento.
Entre os profissionais que decidiram atuar nesse segmento está a advogada Raquel Mendes. Depois de quase dez anos como analista processual no Tribunal de Justiça e no Ministério Público do Distrito Federal, ela deixou a carreira pública para estruturar um negócio voltado à educação financeira, inspirado em uma experiência vivida durante sua própria trajetória profissional.
Embora ocupasse um cargo estável e mantivesse uma rotina paralela como professora em faculdades e cursos preparatórios, Raquel enfrentava dificuldades para administrar a vida financeira. A sobrecarga de trabalho e o endividamento fizeram com que buscasse conhecimento sobre investimentos, economia comportamental e planejamento financeiro.
"O problema não era renda. Eu tinha estabilidade e uma boa remuneração, mas não possuía educação financeira suficiente para tomar decisões conscientes. Quando comecei a estudar para resolver uma questão pessoal, percebi que essa realidade era muito mais comum do que imaginava", afirma.
A partir dessa experiência, Raquel aprofundou os estudos em educação financeira, investimentos, economia comportamental, neurociência e desenvolvimento humano. A transição para o empreendedorismo ocorreu de forma gradual, enquanto conciliava a formação com a atuação no setor público.
O resultado foi a criação da Lei dos Quatro Dinheiros, método que reúne princípios de organização financeira, comportamento e desenvolvimento pessoal. A proposta parte da ideia de que a prosperidade financeira depende do equilíbrio entre quatro dimensões: recursos para manter o padrão de vida, realização de objetivos pessoais, construção de patrimônio por meio de investimentos e geração de impacto positivo na sociedade.
Segundo a especialista, o método surgiu da percepção de que grande parte das iniciativas de educação financeira concentra esforços na transmissão de conhecimento técnico, mas dedica pouca atenção aos fatores emocionais e comportamentais que influenciam a relação das pessoas com o dinheiro.
"Aprender a investir é importante, mas não suficiente. O comportamento financeiro é construído por hábitos, crenças e decisões tomadas diariamente. Quando esses fatores não são trabalhados, o conhecimento dificilmente se transforma em mudança de vida".
A discussão ganha relevância em um momento em que a educação financeira se consolida como um dos principais temas ligados à gestão patrimonial das famílias brasileiras. Além do crescimento da oferta de conteúdos especializados, o setor acompanha o aumento da participação das pessoas físicas no mercado financeiro e a necessidade de maior preparo para decisões relacionadas ao crédito, investimentos, aposentadoria e sucessão patrimonial.
A atuação de Raquel também se estendeu ao mercado editorial. Seu livro Os Segredos da Mente Próspera integrou a lista dos mais vendidos da PublishNews, ampliando o alcance do método desenvolvido ao longo dos últimos anos.
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Para a especialista, o principal desafio da educação financeira no Brasil deixou de ser apenas o acesso à informação e passou a ser sua aplicação prática. "O brasileiro nunca teve tanto acesso a conteúdo sobre finanças quanto agora. O desafio é transformar informação em comportamento. Educação financeira precisa deixar de ser um conhecimento eventual para se tornar uma competência permanente na vida das pessoas", conclui.