Siscobra: por que a automação na cobrança gera resultados diferentes
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Siscobra: por que a automação na cobrança gera resultados diferentes
O paradoxo da automação na cobrança
A inadimplência no Brasil segue em patamar elevado, segundo levantamentos da Serasa Experian, e isso pressiona diretamente o caixa de quem depende de recebíveis previsíveis para operar.
Carteiras vencidas mais densas e equipes de cobrança sob demanda crescente formam o cenário que empurrou boa parte do mercado a investir em automação, na expectativa de reduzir o custo operacional e aumentar a recuperação.
Só que os resultados não confirmam essa expectativa de forma uniforme. Duas empresas do mesmo setor, com carteiras parecidas e ferramentas de automação equivalentes, frequentemente chegam a resultados opostos: uma reduz inadimplência de forma consistente, a outra não sai do lugar. Para Rodrigo Buzzi Schiochet, CTO da Siscobra Sistemas, empresa brasileira com duas décadas dedicadas a sistemas de cobrança, esse paradoxo tem explicação técnica clara.
Da régua fixa aos modelos preditivos
Até poucos anos atrás, automação em cobrança significava uma régua de contato fixa: regras que disparavam lembretes em intervalos predefinidos, independentemente do perfil do devedor.
O mercado evoluiu para camadas mais sofisticadas: modelos que priorizam a carteira por probabilidade de recuperação, ajustam canal e horário de contato e conduzem negociações assistidas em escala.
A automação deixou de ser diferencial e virou padrão de mercado, a maioria dos fornecedores oferece hoje algum nível dessas camadas. Aí mora a confusão: ter automação parou de ser o que separa uma operação de outra. O que separa é o que sustenta essa automação por baixo.
"A diferença não está na ferramenta, está na arquitetura"
"Vejo isso o tempo todo: duas empresas implementam a mesma automação e uma recupera muito mais do que a outra. A diferença quase nunca está na ferramenta. Está na arquitetura de dados por trás dela. Automação sobre cadastro desatualizado, sistemas desconectados do ERP ou histórico fragmentado não corrige o problema, só executa esse problema mais rápido".
Um modelo de priorização, por mais sofisticado que seja, aprende com o que existe na base de dados da operação. Se essa base tem telefones errados, datas de vencimento desatualizadas ou registros que não batem com o financeiro, a automação não filtra esses erros, processa-os em maior volume e velocidade.
Há ainda uma distinção que o mercado costuma borrar de propósito: nem toda automação vendida como inteligente de fato aprende e se adapta. Muitas soluções ainda trabalham com automação por regras fixas, eficientes para tarefas repetitivas, mas incapazes de ajustar estratégia com base em comportamento real. Rotular as duas coisas com o mesmo nome é uma das principais fontes de expectativa frustrada no mercado.
Os erros técnicos que travam a automação
Como responsável pela arquitetura da plataforma da Siscobra, Rodrigo acompanha de perto o desenho técnico de operações de cobrança de diferentes portes. Ele descreve um padrão recorrente de falhas estruturais por trás dos resultados frustrados.
"Os erros mais comuns nem são sofisticados. É base de contato desatualizada, é sistema de cobrança que não conversa com o ERP em tempo real, é histórico de negociação espalhado entre planilhas e memória de quem atendeu o cliente da última vez. Nenhuma camada de inteligência resolve isso. Ela só aciona a pessoa errada, no canal errado, com mais eficiência".
Sem integração em tempo real com o ERP, a automação decide com base em uma fotografia antiga da carteira, não na realidade do momento, um custo que Rodrigo considera o mais invisível do processo.
"A régua automatizada dispara cobrança para um título já pago há três dias, ou ignora uma renegociação recém-fechada, porque o sistema não está sincronizado com o ERP em tempo real. Isso não é falha da automação, é falha de arquitetura, e o cliente que recebe a cobrança indevida não vê a diferença".
Esse padrão se agrava no crédito B2B, no qual o título passa por um fluxo interno de aprovação no financeiro do cliente. Automação que ignora esse contexto insiste no contato errado, no momento errado, e gera desgaste em vez de resultado.
O papel da liderança técnica na adoção responsável
A decisão sobre o que automatizar, e o que ainda exige julgamento humano, não deveria ficar isolada na área de tecnologia nem apenas na de negócio.
Na experiência de Rodrigo à frente da evolução tecnológica da plataforma da Siscobra, os melhores resultados aparecem quando as duas áreas decidem juntas: quem lidera engenharia entende o risco operacional de cada automação implementada, e quem lidera a cobrança entende as limitações técnicas de um modelo antes de esperar dele um resultado que a base de dados não sustenta.
A tecnologia muda, a arquitetura permanece
A próxima onda já está em curso: modelos de linguagem capazes de redigir, testar e ajustar mensagens de cobrança por canal e perfil de devedor, mantendo tom e política da empresa em escala.
É um ganho real de comunicação. Essa evolução, porém, não muda o gargalo central: continuará sendo a fundação de dados, estruturada, integrada ao ERP e auditável, o que separa empresas que extraem valor real de qualquer nova camada de tecnologia daquelas que apenas trocam de fornecedor a cada ciclo de hype, sem resolver o problema de origem.
A Siscobra acompanha essa transformação de dentro há duas décadas no mercado brasileiro, período em que acumulou experiência prática com operações de cobrança de diferentes portes e níveis de complexidade.
Essa trajetória sustenta a visão de seu CTO: o próximo salto em recuperação de crédito no Brasil dificilmente vai vir de mais tecnologia disponível no mercado. Vai vir das empresas que primeiro organizam a base sobre a qual essa tecnologia roda e que entendem que automação, no fim, só amplifica a qualidade da decisão que já existia antes dela.
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Rodrigo Buzzi Schiochet é CTO da Siscobra Sistemas, onde lidera a estratégia, a arquitetura e a evolução tecnológica da plataforma. É Bacharel em Sistemas de Informação, possui Pós-Graduação em Engenharia de Software e MBA em Gestão de Tecnologia da Informação, com mais de 15 anos de experiência em soluções de cobrança.