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Da feira livre ao mundo da moda: Kelly dos Anjos transforma curiosidade em negócios

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Da feira livre de Palmeira dos Índios (AL) aos principais polos internacionais da moda, Kelly dos Anjos construiu uma trajetória empresarial baseada em observação, pesquisa e conhecimento do varejo. Antes de lançar marcas próprias e desenvolver coleções, ela percorreu praticamente todas as etapas da cadeia produtiva do setor, experiência que hoje orienta suas decisões de negócio.

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A primeira experiência com vendas aconteceu ainda na infância, ao lado da mãe, na feira livre de Palmeira dos Índios. Kelly vendia redinhas de limão e, sempre que acabava a mercadoria, voltava correndo para buscar mais. "Mãe, me dá mais. Vendi tudo", repetia. Na época, não imaginava que seguiria carreira no empreendedorismo, mas já demonstrava duas características que marcariam sua trajetória: curiosidade e disposição para aprender.

Ao se mudar para São Paulo, iniciou sua carreira na indústria da moda pelo chão de fábrica. Trabalhou como ajudante geral, arrematadeira, pregou botões, dobrou roupas, atuou no varejo, liderou equipes e conheceu de perto diferentes etapas da produção e da comercialização antes de criar suas próprias marcas.

Mais do que executar funções, buscava compreender como cada processo influenciava o resultado do negócio. Essa postura transformou a curiosidade em método de gestão. Hoje, Kelly lidera marcas de moda feminina e realiza viagens frequentes aos principais centros internacionais de moda para ampliar seu repertório. As pesquisas, no entanto, vão além das tendências das passarelas. Museus, arquitetura, gastronomia, comportamento do consumidor, visual merchandising, hotéis, cafés e grandes maisons integram o roteiro de observação.

"Eu não viajo para descobrir o que está na moda. Viajo para ampliar meu repertório. Acredito que as melhores coleções surgem quando aprendemos a observar o mundo antes de observar as roupas", afirma.

Segundo a empresária, inovação não nasce apenas do produto, mas da capacidade de interpretar movimentos culturais e transformá-los em soluções para o mercado. Cada experiência é convertida em decisões criativas, desenvolvimento de coleções e estratégias voltadas ao varejo brasileiro.

A trajetória foi reconhecida pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, que homenageou Kelly dos Anjos por sua contribuição ao empreendedorismo e ao desenvolvimento do setor da moda.

Apesar do reconhecimento, ela afirma que sua essência permanece a mesma. "A menina que vendia limões continua caminhando pelos corredores. Antes eram os corredores da feira; hoje são os das grandes maisons de moda. O que nunca mudou foi a vontade de observar, aprender e transformar conhecimento em valor."

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