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Lago Corumbá IV: o modelo de quem pensa o território antes da obra

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Lago Corumbá IV: o modelo de quem pensa o território antes da obra

O Brasil tem uma longa relação com a ocupação de suas fronteiras agrícolas e naturais, nem sempre bem resolvida. Em muitas regiões, o avanço da ocupação humana sobre áreas de valor ambiental seguiu a lógica do improviso: primeiro se ocupa, depois se discute como organizar. O resultado, repetido em diferentes biomas, costuma ser o mesmo: a degradação progressiva justamente daquilo que tornou o lugar atraente. Às margens dos grandes reservatórios do Centro-Oeste, esse dilema reaparece com força.

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O Lago Corumbá IV, formado pelo represamento para a usina hidrelétrica de mesmo nome, ocupa cerca de 173 quilômetros quadrados no estado de Goiás e banha municípios como Alexânia, Abadiânia, Luziânia e Silvânia. Suas margens, com extenso perímetro e vegetação de Cerrado, tornaram-se nos últimos anos alvo de uma demanda crescente por moradia, lazer e segunda residência. A pergunta que acompanha esse crescimento é incômoda e necessária: a ocupação vai repetir o padrão do improviso ou pode seguir um caminho diferente.

"Território não é estoque de terra para vender em pedaços. É um sistema vivo, com paisagem, água, vegetação. Se você ocupa sem ordenar, você quebra o sistema e destrói o valor. Pensar o território antes da obra é o que permite crescer sem matar aquilo que atraiu todo mundo para ali", afirma Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR.

A ideia de ocupação ordenada parte de uma inversão de método. Em vez de fracionar a terra e vender lotes para depois lidar com as consequências, o planejamento de território define primeiro a estrutura do conjunto: quais áreas são preservadas, como a vegetação nativa é mantida, de que forma o acesso ao lago é organizado para não comprometer as margens, onde a infraestrutura passa e como a densidade de ocupação respeita a capacidade da paisagem. A obra vem depois dessas definições, e não antes.

Esse método dialoga diretamente com uma discussão que já começou a mobilizar gestores e especialistas na própria região, a respeito de como organizar a ocupação do entorno do Lago Corumbá IV. O debate sinaliza um amadurecimento: a percepção de que o crescimento, se quiser ser sustentável, precisa de planejamento territorial, não de iniciativas isoladas. Para uma incorporadora que estrutura seus projetos a partir dessa premissa, o alinhamento entre a prática privada e a agenda pública de ordenamento é um sinal positivo.

"A preservação não é o oposto do desenvolvimento, é condição dele. No Cerrado, às margens de um lago, isso é ainda mais verdadeiro. Quem preserva a paisagem está protegendo o próprio patrimônio e o de todo mundo que está ali em volta. É uma conta que fecha no longo prazo", diz Marlon Ceni.

O Cerrado, bioma onde está inserido o Lago Corumbá IV, é um dos mais ricos em biodiversidade do mundo e, ao mesmo tempo, um dos mais pressionados pela expansão da ocupação. Qualquer modelo de desenvolvimento imobiliário na região carrega, portanto, uma responsabilidade ambiental que vai além do empreendimento individual. A manutenção de áreas de vegetação nativa, a proteção das margens e o cuidado com a drenagem e o uso da água não são apenas exigências técnicas, são o que determina se a região continuará sustentando vida, valor e qualidade ao longo das próximas décadas.

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O modelo de ocupação ordenada proposto para o Lago Corumbá IV não resolve sozinho o desafio ambiental da região, que depende também de política pública, fiscalização e da soma de boas práticas de todos os agentes envolvidos. Mas oferece um contraponto concreto à lógica do improviso. Ao colocar o planejamento do território antes da obra, e a preservação da paisagem no centro da decisão, esse modelo aponta para uma forma de crescer que, em vez de consumir o atributo natural que deu origem ao valor, o trata como o ativo de longo prazo que ele de fato é.

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