Saneamento corre contra 2033 e expõe gargalo de mão de obra na infraestrutura
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O Brasil precisa investir cerca de R$511 bilhões para universalizar os serviços de água e esgoto até 2033, segundo estimativas do Ministério das Cidades. Descontado o que já foi aplicado, restam R$454,1 bilhões, o equivalente a R$45,1 bilhões por ano até o prazo final do Marco Legal do Saneamento. O ritmo atual, porém, ainda não acompanha a meta.
O investimento médio anual por habitante subiu 56,5% entre 2021 e 2023, chegando a R$127 por pessoa. O número, no entanto, corresponde a apenas 57% dos R$223 por habitante previstos pelo Plano Nacional de Saneamento Básico. O paradoxo do setor é visível: concessões e contratos privados avançam, mas o volume de capital ainda fica aquém do necessário para fechar a conta da universalização.
Os grandes operadores sinalizam aceleração. A Sabesp anunciou R$20 bilhões em investimentos para 2026, com 67% direcionados a esgoto e 65% voltados à universalização até 2029. A Aegea aplicou R$7,3 bilhões em 2025 e mais R$1,6 bilhão no primeiro trimestre de 2026, atendendo mais de 39 milhões de pessoas em 893 municípios de 15 estados.
A privatização da Sabesp em 2024, novos lotes em licitação e parcerias público-privadas de esgoto, como a estruturada em Goiás, transformam cada concessão em um mercado potencial para fornecedores de infraestrutura. Mas a expansão acelerada esbarra em um gargalo menos discutido que o financeiro: a disponibilidade de mão de obra qualificada para executar as obras no ritmo exigido.
É nesse ponto que a escolha tecnológica deixa de ser detalhe de engenharia e vira variável de viabilidade. Estruturas subterrâneas que reduzem a necessidade de equipe e equipamento na instalação passam a ser avaliadas não apenas pelo custo unitário, mas pela capacidade de entregar projetos dentro do prazo regulatório.
A Asperbras, indústria fundada em 1985 e sediada em Penápolis (SP), posiciona seus poços de visita e de inspeção rotomoldados em polietileno de alta densidade nesse contexto. As estruturas são fabricadas em peça única, sem emendas, e segundo a empresa pesam até 90% menos que as equivalentes em concreto, dispensam tempo de cura e exigem equipe reduzida para instalação. Em um cenário de falta de mão de obra, a empresa argumenta que o ganho de produtividade por obra se torna critério decisivo.
O argumento tem tradução direta no canteiro. Um poço de visita em PEAD da Asperbras é instalado em 1 a 2 horas com equipe reduzida e equipamento leve, ante 6 a 10 horas e maquinário pesado para o equivalente em concreto, segundo a empresa. Para operadores que precisam executar milhares de pontos de rede sob pressão de prazo regulatório e escassez de profissionais, a redução de mão de obra por instalação deixa de ser ganho marginal e vira variável de cronograma.
A companhia afirma ter ampliado capacidade industrial nos últimos anos para atender à demanda gerada pelo marco regulatório. Opera seis plantas e produz acima de 60 mil toneladas por ano, com unidades em Penápolis (SP), Macaíba (RN) e Simões Filho (BA). Os poços de visita são homologados pela Sabesp conforme a norma NTS 234, e o portfólio carrega certificação ISO 9001.
“Para além dos diferenciais técnicos, nossas soluções de poços de visita e de inspeção em polietileno garantem maior viabilidade financeira aos projetos. A curva de manutenção é muito inferior à do concreto, a alta durabilidade valoriza o ativo e a agilidade na instalação acelera o cronograma e melhora o fluxo financeiro da obra”, afirma Francisco Colnaghi, vice-presidente do conselho de administração da holding Colpar Brasil, que detém a marca Asperbras.
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O saneamento também ganhou tração como pauta climática após a COP 30, realizada em Belém, ao ser tratado como pilar de desenvolvimento sustentável e justiça social. A combinação entre pressão regulatória, escassez de mão de obra e agenda ambiental tende a manter o tema no centro das decisões de investimento em infraestrutura nos próximos anos. A questão que permanece é se o ritmo de capital e a capacidade de execução vão convergir a tempo de cumprir a meta de 2033.