O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou na quarta-feira (21/10) suas alegações finais e pediu a condenação do empresário Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. Atualmente, ele responde ao processo em liberdade.

A promotoria também requereu a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos delitos. O órgão solicitou à Justiça a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, e de Andréia Domingues Ferreira.

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Cálculo das penas solicitadas

A alegação final representa a última manifestação do Ministério Público antes da sentença judicial. A pena para cada réu pode variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão em regime fechado, com aplicação de multas.

O cálculo considera a seguinte composição:

Contudo, o limite legal de cumprimento de pena no Brasil é de 40 anos, independentemente da soma total das condenações.

Atuação dos investigados e desvios

Cariani virou réu em fevereiro de 2024, após indiciamento pela Polícia Federal em dezembro de 2023 durante a Operação Hinsberg. A apuração apontou fraudes na venda de insumos da empresa Anidrol, sediada em Diadema, destinados ao refino de crack e cocaína.

Segundo promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), a Anidrol simulou por 59 vezes a venda para empresas sem pedidos reais. Cariani simulava pedidos fictícios para justificar as retiradas de produtos químicos.

A apuração começou em 2019, após a farmacêutica AstraZeneca informar a emissão de notas fiscais não reconhecidas de 2017. As apurações indicam que Fábio Spínola criou um e-mail falso em nome de funcionário da farmacêutica, intermediou entregas ao narcotráfico e efetuou depósitos em dinheiro na conta da Anidrol.

Rodrigo Pereira geria a movimentação financeira ilícita para conceder aparência de licitude aos valores. Mensagens telefônicas revelaram contato próximo entre Cariani e o policial civil Anadré Dziuba, envolvendo repasse de dados sobre diligências e sugestões de alvos concorrentes para fiscalização.

Em diálogo de abril de 2019 anexado ao processo, Cariani respondeu que determinada substância sob consulta era "utilizada para aumentar o rendimento da cocaína". Casado com Tatiane Martines Cariani, o influenciador de 50 anos acumula mais de 11 milhões de seguidores no Instagram e 8 milhões de inscritos no YouTube.

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* Estagiária sob supervisão da editora Ellen Cristie. 

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