Pela primeira vez em mais de uma década, o número de crianças entre 10 e 13 anos com telefone celular próprio diminuiu no Brasil. Dados divulgados em julho deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam uma mudança significativa no comportamento das famílias, que agora demonstram maior cautela em relação ao acesso precoce à tecnologia.
A tendência reflete um novo cenário digital, onde a preocupação com o bem-estar e a segurança dos mais jovens se tornou uma prioridade. O recuo histórico na posse do aparelho nessa faixa etária é um movimento que vem sendo moldado tanto dentro de casa quanto nos ambientes escolares.
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Por que o uso de celular por crianças diminuiu?
A queda no uso de celulares por crianças é impulsionada principalmente por duas frentes: a crescente preocupação dos pais com a privacidade e a segurança online dos filhos e a implementação de regras mais rígidas sobre o uso de aparelhos eletrônicos nas escolas em todo o país.
Os principais fatores que explicam essa nova tendência incluem:
Aumento da conscientização sobre os riscos online, como exposição a conteúdo inadequado e cyberbullying.
Novas políticas escolares implementadas em 2025 que restringem ou proíbem o uso de smartphones durante o horário de aula para melhorar o foco e a interação social.
Busca ativa dos pais por um equilíbrio saudável entre o tempo de tela e outras atividades, como esportes e brincadeiras ao ar livre.
Preocupação com o impacto do uso excessivo de telas no desenvolvimento cognitivo e social infantil.
Qual o impacto dessa mudança na rotina das famílias?
Essa nova realidade está redefinindo a dinâmica dentro de casa. Em vez de entregar um smartphone sem restrições, muitos pais estão estabelecendo limites claros de horário e monitorando o conteúdo acessado. A mudança também estimula a busca por alternativas de comunicação e entretenimento.
A substituição do dispositivo móvel por outras atividades tem se tornado comum. Famílias relatam um aumento na leitura de livros, na prática de jogos de tabuleiro e em passeios. Para comunicação essencial, alguns pais optam por relógios inteligentes com funções limitadas a chamadas para números pré-aprovados.
O que a pesquisa do IBGE revela?
A pesquisa do IBGE, parte do módulo sobre tecnologia da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), mapeia o acesso e o uso da internet e de dispositivos tecnológicos nos lares brasileiros. Os dados divulgados em julho deste ano apontam para o primeiro recuo na posse de telefone celular na faixa etária de 10 a 13 anos desde 2016, quando o levantamento começou a acompanhar esse indicador. Segundo o levantamento, a posse de celular entre crianças de 10 a 13 anos caiu de 56,7% em 2024 para 55,2% em 2025, uma queda de 1,5 ponto percentual.
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O fenômeno não é isolado e acompanha um debate público mais amplo que ganhou força em 2025 sobre a chamada "essencialidade" do aparelho.
