Todo Sete de Setembro, o Brasil para e volta seus olhos para os desfiles cívico-militares que marcam o Dia da Independência. A imagem de tanques, soldados marchando e aeronaves cruzando o céu se tornou o principal símbolo da data. No entanto, essa tradição nem sempre foi o centro das comemorações e sua origem revela muito sobre a construção da identidade nacional.

Diferente do que muitos imaginam, o desfile militar não nasceu junto com o grito de Dom Pedro I às margens do Ipiranga em 1822. Embora já em 1823 haja registros de celebrações com "pompa militar, civil e religiosa", a prática foi incorporada gradualmente ao longo das décadas, ganhando força especialmente após a Proclamação da República, em 1889. A celebração, que antes era marcada por festas populares e bailes, passou a ter um caráter mais formal e institucional.

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Nos primeiros anos do Brasil independente, as comemorações eram mais espontâneas e focadas na figura do imperador. A ideia era celebrar o surgimento de uma nova nação e fortalecer os laços entre o povo e a monarquia. A participação militar existia, mas era secundária, sem a grandiosidade e o protagonismo que viria a ter no futuro.

A mudança começou a se desenhar no final do século 19. Com o novo regime republicano, havia a necessidade de criar novos símbolos e rituais que representassem a pátria e legitimassem o poder recém-estabelecido. Inspirados em tradições europeias, especialmente da França, os governantes viram nos desfiles militares uma forma eficiente de demonstrar organização, força e soberania nacional. Essa característica se consolidou especialmente na década de 1920, sob a influência do contexto pós-Primeira Guerra Mundial, que valorizou as demonstrações de poderio bélico.

A consolidação de um símbolo

Foi durante o governo de Getúlio Vargas, principalmente no período do Estado Novo (1937-1945), que os desfiles de Sete de Setembro se consolidaram como o grande ato cívico do país. O evento se transformou em uma poderosa ferramenta de propaganda, usada para exaltar o nacionalismo, a disciplina e a ordem, valores centrais para o regime.

Nessa época, a participação de escolas e da população civil foi intensamente incentivada, unindo o caráter militar à demonstração de civismo. O desfile se tornou um espetáculo grandioso, transmitido pelo rádio para todo o país, reforçando a imagem de um Brasil forte e unido sob uma liderança centralizadora.

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Ao longo dos anos, o formato e a mensagem dos desfiles se adaptaram aos diferentes contextos políticos do Brasil. Curiosamente, o Sete de Setembro só se tornou feriado nacional em 1949, por meio da Lei 662, durante o governo de Eurico Gaspar Dutra. Durante o regime militar (1964-1985), por exemplo, a exibição de poder bélico atingiu seu auge. Hoje, a cerimônia busca equilibrar a tradição militar com a participação popular, mantendo-se como o principal ritual de celebração da independência brasileira.

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