A recuperação de mensagens e arquivos apagados de celulares pela Polícia Federal (PF) tornou-se um procedimento comum em grandes investigações, como no caso do Banco Master, em que a perícia recuperou mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A técnica, conhecida como perícia digital, permite que os investigadores acessem um volume de informações que, para o usuário comum, pareceria perdido para sempre.
Nas mensagens investigadas, Vorcaro pediu reiteradamente ao ministro que recorresse ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para conter o avanço das investigações sobre a instituição financeira. Os diálogos se estenderam até poucas horas antes da primeira prisão de Vorcaro, em 17 de novembro de 2025.
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Diferentemente do que muitos imaginam, quando um arquivo é deletado, ele não é imediatamente removido do armazenamento do dispositivo. O sistema operacional apenas marca aquele espaço como “disponível”, permitindo que novos dados sejam gravados por cima. Enquanto isso não acontece, as informações originais permanecem intactas em setores da memória, invisíveis ao usuário, mas acessíveis a peritos com as ferramentas certas.
O que é a perícia digital em celulares?
A perícia digital é um ramo da ciência forense focado na recuperação e investigação de material encontrado em dispositivos digitais. O objetivo é identificar, coletar, preservar e analisar dados para que sirvam como prova em processos judiciais, revelando conversas, arquivos e rastros de atividades.
Como a PF recupera mensagens apagadas?
O processo de recuperação de dados é metódico e utiliza softwares avançados para extrair informações que não estão mais visíveis na interface do aparelho. A análise forense segue etapas rigorosas para garantir a integridade da prova.
As principais fases do trabalho são:
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Isolamento do aparelho: assim que um celular é apreendido, ele é colocado em um recipiente conhecido como “gaiola de Faraday”. Essa bolsa impede qualquer comunicação sem fio, bloqueando sinais de rede, Wi-Fi e Bluetooth. A medida é usada para evitar que o dono do aparelho consiga apagar dados remotamente.
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Espelhamento dos dados: os peritos não trabalham diretamente no dispositivo original. Em vez disso, criam uma cópia exata de todo o conteúdo do armazenamento, bit a bit. Essa imagem forense é utilizada na análise, preservando o celular como prova intacta.
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Análise com software especializado: a cópia dos dados é processada por programas capazes de varrer todo o armazenamento, incluindo os espaços marcados como livres. Esses softwares conseguem identificar e reconstruir arquivos, mensagens de texto, registros de chamadas e dados de aplicativos que foram deletados.
É possível resgatar conversas de apps criptografados?
Sim, em muitos casos. Embora aplicativos como WhatsApp e Telegram usem criptografia de ponta a ponta para proteger a comunicação durante o envio, as mensagens ficam armazenadas de forma decifrada nos bancos de dados do próprio aplicativo, dentro do celular. A perícia digital acessa esses arquivos e consegue extrair o conteúdo das conversas, mesmo as que foram apagadas pelo usuário.
Por quanto tempo os dados ficam no celular?
Não existe um prazo definido para que um dado apagado seja permanentemente perdido. A recuperação depende do uso do aparelho após a exclusão. Quanto mais fotos, vídeos e aplicativos forem salvos, maior a chance de os dados antigos serem sobrescritos e eliminados de vez. Por isso, a agilidade na apreensão dos dispositivos é fundamental para o sucesso de uma investigação.
E as mensagens de Vorcaro? Foram recuperadas assim?
Segundo a Polícia Federal, para evitar que a troca de mensagens ficasse acessível, Vorcaro enviava capturas de tela de anotações feitas no seu bloco de notas aos remetentes no formato de visualização única.
Para recuperar as mensagens e evidências do banqueiro, a abordagem utiliza diversos softwares diferentes, complementando um ao outro: o que algum programa pode ser incapaz de extrair, outro pode conseguir.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
