Tecnologia

Celular desligado e senha protegida: como a perícia da PF acessa os dados

A Polícia Federal passou a utilizar, nos últimos anos, um conjunto de tecnologias que permite o acesso a dados de celulares apreendidos. Isso mesmo quando os aparelhos estão desligados, protegidos por senha e sem conexão à internet. Saiba como funciona essa tecnologia.

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A Polícia Federal passou a utilizar, nos últimos anos, um conjunto de tecnologias que permite o acesso a dados de celulares apreendidos. Isso mesmo quando os aparelhos estão desligados, protegidos por senha e sem conexão à internet. O procedimento, adotado em operações de grande repercussão em Brasília, tem impacto direto sobre investigações envolvendo agentes públicos, empresários e intermediários do poder. Afinal, a extração ampla de informações digitais transforma o telefone em uma espécie de dossiê eletrônico sobre a rotina dos investigados.

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Esse tipo de recurso tecnológico afasta a ideia de que o bloqueio de tela seria uma barreira intransponível. A perícia trabalha com ferramentas capazes de ler a memória interna do celular, reconstruindo mensagens, fotos, vídeos, e-mails e registros de aplicativos. Em muitos casos, esses dados permanecem acessíveis mesmo após tentativas de exclusão, o que amplia o alcance probatório das operações policiais.

O procedimento, adotado em operações de grande repercussão em Brasília, tem impacto direto sobre investigações envolvendo agentes públicos, empresários e intermediários do poder – depositphotos.com / xtrekx

Como funciona a tecnologia da Polícia Federal para acessar celulares?

A palavra-chave central nesse contexto é tecnologia da Polícia Federal para acessar celulares. A existência do dispositivo foi revelado pelo blog da jornalista Julia Duailib, no portal G1. Assim, o processo começa logo após a apreensão do aparelho, em cumprimento a mandados judiciais. Peritos especializados recebem os dispositivos e os encaminham para setores de informática forense, onde são adotados protocolos rígidos de preservação de integridade das evidências. Dessa forma, o objetivo é garantir que o conteúdo extraído sirva a processos judiciais sem questionamentos sobre adulteração.

Em muitos casos, ferramentas de análise forense móvel conseguem ultrapassar as proteções de bloqueio, explorando brechas de segurança ou utilizando métodos de leitura direta da memória. A partir daí, é possível copiar uma imagem completa do armazenamento do aparelho. Portanto, esse espelhamento permite que a análise aconteça em ambiente controlado, sem necessidade de manter o celular ligado ou conectado a redes.

Por que a PF usa gaiola de Faraday e isolamento total do aparelho?

Uma etapa essencial da tecnologia de acesso a celulares da PF é o isolamento físico do dispositivo. Para isso, a perícia usa gaiolas de Faraday, que podem assumir a forma de salas, caixas ou bolsas com revestimento metálico. Esses recipientes bloqueiam a passagem de ondas eletromagnéticas, impedindo qualquer comunicação por dados móveis, Wi-Fi ou Bluetooth.

Ao manter o celular dentro da gaiola, os peritos evitam conexões automáticas com a internet que poderiam ativar comandos remotos de bloqueio, localização ou apagamento do conteúdo. Esse cuidado é estratégico em casos que envolvem figuras com alto poder econômico ou acesso a equipes técnicas capazes de acionar mecanismos sofisticados de segurança. Dentro desse ambiente isolado, liga-se o aparelho e os softwares de perícia são conectados por cabo diretamente ao dispositivo.

  • Impedir apagamento remoto: evita que terceiros apaguem mensagens e arquivos à distância.
  • Preservar a cadeia de custódia: garante que não haja interferência externa nos dados.
  • Registrar cada etapa: todo o processo é documentado para fins judiciais.

O que se extrai dos celulares pela tecnologia da Polícia Federal?

Segundo especialistas em informática forense, a regra da PF é a extração integral do conteúdo do dispositivo, quando tecnicamente possível. Em vez de selecionar previamente apenas alguns arquivos, os peritos fazem uma cópia massiva de todos os dados disponíveis. Essa abordagem abrange conversas em aplicativos de mensagens, fotos, vídeos, e-mails, contatos, histórico de chamadas, anotações, agendas, localização e até arquivos temporários.

Esse procedimento tem duas consequências principais. De um lado, amplia as chances de localizar elementos relevantes para a investigação, inclusive em conteúdos que o usuário imaginava ter apagado. De outro, gera grande volume de informações sensíveis, muitas vezes sem ligação direta com o caso em apuração. A triagem é feita depois, em softwares específicos, que permitem buscas por palavras-chave, datas, números de telefone e outros filtros.

  1. O celular é catalogado e lacrado após a apreensão.
  2. O aparelho é levado para ambiente isolado, como uma gaiola de Faraday.
  3. Peritos conectam o dispositivo a ferramentas de extração forense.
  4. É criado um espelho completo da memória interna.
  5. A análise se dá sobre a cópia, preservando o original.
O uso intensivo da tecnologia da Polícia Federal para acessar celulares tem repercussões diretas no ambiente político e empresarial – depositphotos.com / thenews2.com

Quais são os impactos dessa tecnologia em investigações no Brasil?

O uso intensivo da tecnologia da Polícia Federal para acessar celulares tem repercussões diretas no ambiente político e empresarial. Em operações recentes, aparelhos de banqueiros, investidores e operadores com trânsito em Brasília foram recolhidos e encaminhados à perícia. Como o histórico digital moderno concentra conversas estratégicas, registros de reuniões, trocas de documentos e combinações informais, o celular passou a ocupar papel central em inquéritos complexos.

No campo jurídico, o debate gira em torno do equilíbrio entre o direito à privacidade e o interesse público na elucidação de crimes. O acesso aos dados depende de autorização judicial, e a utilização das informações em processos passa por contestação de advogados, que analisam a forma como a prova foi colhida. A tendência, porém, é que a análise de dispositivos móveis continue sendo uma das principais fontes de evidência em casos de corrupção, fraudes financeiras e organização criminosa no Brasil.

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Com a expansão constante do uso de smartphones e da comunicação digital, especialistas avaliam que o domínio de técnicas de perícia em celulares se tornou parte estruturante da atividade investigativa. A tecnologia empregada pela PF para acessar e preservar esses dados indica um cenário em que quase toda ação relevante deixa algum tipo de rastro eletrônico, sujeito a escrutínio quando determinado pela Justiça.

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