O influenciador Gabriel Bertoldi, de 26 anos, que mora em Curitiba (PR), publicou um vídeo nas redes sociais na segunda-feira (27/7), no qual expõe comentários homofóbicos depois de lamentar o ataque à Parada LGBTQIA+ em Berlim, na Alemanha, no último sábado (25/7). Uma mulher morreu, e outras 29 pessoas ficaram feridas.
No domingo (26/7), Abdul Ballout, cidadão alemão de origem libanesa de 21 anos, considerado responsável pelo atentado ao atropelar as pessoas com uma van, foi morto ao reagir à prisão.
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"Até quando pessoas vão morrer simplesmente por existirem?", questiona Gabriel Bertoldi em um vídeo no qual traz à tona comentários homofóbicos. Em um deles, um homem lamenta que Abdul Ballout não tenha conseguido causar mais danos. "Uma pena que ele não utilizou um caminhão", escreveu.
O influenciador respondeu ao comentário pedindo aos seguidores que denunciassem. O homem, então, reafirmou em novas mensagens. Primeiro, postou: "Pena mesmo". Em seguida, completou: "Ou dois caminhões. Vou dar a ideia a eles".
No início do vídeo, em resposta a esses comentários homofóbicos, Bertoldi concluiu em tom de desabafo: "Lugar de gay é morto, embaixo de um caminhão".
"Depois de já ter enfrentado o processo de me assumir e de lidar com os olhares e julgamentos no dia a dia, ainda preciso conviver com palavras que tentam reduzir quem eu sou a um erro, a algo que precisa ser corrigido ou punido", disse o influenciador em conversa com o Estado de Minas na noite dessa terça-feira (28/7).
"Sempre temos que engolir os olhares por simplesmente andarmos de mãos dadas na rua, por exemplo. Isso incomoda muito as pessoas, e não dá para entender o motivo. Precisamos ocupar espaços para combater o preconceito. Não podemos nos calar", completou.
Abdul Ballout
Responsável pelo ataque em Berlim, Abdul Ballout tinha antecedentes por lesões corporais, extorsão e roubo e havia viajado ao Líbano em uma tentativa fracassada de se juntar ao grupo Estado Islâmico (EI) na Síria, mas foi detido e passou três meses na prisão antes de ser repatriado.
Em maio, ele foi condenado por "planejar um grave ato de violência subversiva" e sentenciado a um ano e dez meses de prisão. No entanto, a pena foi suspensa, em parte porque foi considerado o tempo que passou detido no Líbano e em prisão preventiva.
O ministro alemão do Interior, Alexander Dobrindt, classificou o crime como um "ataque terrorista islamista". A ministra da Justiça da Alemanha, Stefanie Hubig, confirmou que a Procuradoria-Geral Federal assumiu o caso devido à gravidade e à natureza extremista do atentado.
No Brasil, o que diz a lei?
Em 21 de agosto, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que atos de homofobia e transfobia poderiam ser punidos como injúria racial. Em 2019, o STF já havia equiparado esses dois crimes com o de racismo, o que permitiu punir ofensas discriminatórias contra um grupo ou coletividade. Ao equiparar com a injúria racial, o Supremo estabeleceu que ofensas individuais também sejam punidas.
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Desde janeiro de 2023, a injúria racial é equiparada ao racismo. Ambos os crimes são imprescritíveis e inafiançáveis. A pena varia de dois a cinco anos de reclusão.
