Jandira Marina Dias Braga, de 76 anos, morreu após ser submetida a uma cirurgia destinada a outra paciente no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP), no início da semana. A família culpa a unidade de saúde e afirma que irá recorrer à Justiça para responsabilizar os envolvidos.

Segundo a neta da idosa, Camila Dias Barozzi, durante uma reunião realizada após a descoberta do erro, representantes do hospital afirmaram que, apesar da falha, o procedimento teria proporcionado um "benefício clínico" para Jandira. A família, no entanto, diz que o quadro de saúde da paciente se agravou logo depois da cirurgia.

De acordo com Camila, o diretor clínico da unidade teria admitido que nunca havia enfrentado uma situação semelhante em sua carreira, mas explicou que a gastrostomia realizada por engano permitiria a drenagem de líquidos provocados pela obstrução intestinal.

"No outro dia, ela já começou a voltar esse líquido com aspecto de fezes e vomitar. Então, aquilo que ele tinha me falado que seria benéfico, não foi", afirmou a neta em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo.

Cirurgia foi destinada a outra paciente

O erro aconteceu na noite de 8 de junho de 2026. Jandira estava internada para tratar uma obstrução intestinal causada pela recidiva de um câncer de cólon e aguardava definição da equipe médica sobre o tratamento quando foi levada ao centro cirúrgico.

Documentos do prontuário obtidos pela EPTV mostram que a idosa foi submetida a uma gastrostomia endoscópica, procedimento para implantação de uma sonda diretamente no estômago. A cirurgia começou às 18h45 e terminou às 19h20.

A troca só foi percebida após o término da operação, durante a passagem de plantão, quando funcionários constataram que a paciente que deveria ter sido operada continuava no quarto. A conferência da pulseira de identificação revelou que Jandira havia sido levada por engano ao centro cirúrgico.

A família afirma que a saúde da idosa piorou rapidamente depois da cirurgia. "Ela já começou a ter taquicardia, já começou a ter sinais de sepse logo após o processo cirúrgico. Foi então que o quadro clínico dela decaiu muito", relatou Camila.

Os registros médicos apontam que, na manhã seguinte ao procedimento, Jandira apresentou confusão mental, hipotensão, queda da saturação de oxigênio e alterações no ritmo cardíaco, sendo transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A equipe passou a investigar hipóteses como sepse e tromboembolismo pulmonar.

Posteriormente, familiares e médicos optaram por adotar cuidados paliativos, sem novas intervenções invasivas. Jandira morreu às 19h30 do dia 11 de junho.

Família acredita que havia chance de recuperação

Segundo Camila, a família não consegue deixar de pensar que a paciente poderia ter sobrevivido caso o erro não tivesse acontecido. "Eu prometi para mim que não ia deixar isso quieto. Sempre fica aquela sensação do 'e se?'. E se tivesse dado certo? Ela poderia estar aqui com a gente", desabafou.

Ela afirma que o objetivo da ação judicial será não apenas buscar responsabilização, mas também cobrar mudanças nos protocolos de segurança do hospital. "Não deixar acontecer isso com outras pessoas", resumiu.

A neta também destacou que Jandira havia vencido um câncer de cólon cerca de 12 anos antes e que, segundo a oncologista responsável pelo caso, o novo diagnóstico apresentava perspectivas positivas. "A oncologista falou para a gente que não tinha metástase. Ela faria uma quimioterapia e teria uma vida normal", lamentou.

Hospital admite falha, mas diz que cirurgia não alterou prognóstico

Em nota, o Hospital Beneficência Portuguesa informou que identificou um "evento adverso relacionado à assistência prestada a uma paciente" e afirmou que comunicou imediatamente os familiares, instaurou sindicância interna e adotou medidas administrativas, incluindo desligamentos de profissionais envolvidos.

A instituição declarou ainda que uma avaliação médica e técnica concluiu que "o procedimento realizado não alterou o prognóstico da paciente".

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O hospital informou que também reforçou seus protocolos de segurança e encaminhou o caso às comissões de ética responsáveis, que posteriormente deverão remetê-lo ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) e ao Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP).

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