Esposa de Thiago Ávila relata agressões durante detenção em Israel
Segundo Lara, o ativista apresenta ferimentos pelo corpo e no rosto. Ainda de acordo a esposa de Thiago, os golpes na cabeça teriam provocado a perda temporária da visão
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Detido por forças israelenses após a interceptação de uma flotilha humanitária em águas internacionais, o ativista brasileiro Thiago Ávila relata ter sido alvo de agressões físicas e violência psicológica. A informação foi relatada pela esposa do ativista, Lara Souza, ao Correio, que afirma que o ativista relata episódios de tortura e intimidação, incluindo ameaças direcionadas a ele e à família no Brasil.
Segundo Lara, o ativista apresenta ferimentos pelo corpo e no rosto. Ainda de acordo a esposa de Thiago, os golpes na cabeça teriam provocado a perda temporária da visão, recuperada apenas pouco antes de um encontro com sua advogada, no sábado (2/5). Ela também afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que o atendimento médico recebido foi inadequado, apesar da atuação da diplomacia brasileira junto às autoridades israelenses.
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Além disso, conta que a prisão do brasileiro foi prorrogada por decisão judicial e uma nova audiência está marcada para esta terça-feira (5/5), ao meio-dia no horário local. O brasileiro responde a cinco suspeitas apresentadas por autoridades israelenses, incluindo acusações de associação com o terrorismo e colaboração com o inimigo em contexto de guerra.
A defesa nega as acusações e afirma que não foram apresentados elementos concretos que sustentem o caso. Os advogados classificam a detenção como uma medida para interrogatório sem base legal formal e contestam a legalidade da interceptação, ocorrida em águas internacionais. “Não há transparência sobre os critérios nem prazo definido para libertação”, afirmou Lara Souza. “Ele pode permanecer preso indefinidamente, mesmo sem provas apresentadas.”
Ávila e o coordenador espanhol-palestino Saif Abu Keshek iniciaram uma greve de fome na última quarta-feira, em protesto contra as condições da detenção e as violações relatadas. A flotilha, composta por mais de 50 embarcações, foi interceptada na madrugada de quinta-feira por forças israelenses, em frente à costa da Grécia. Segundo autoridades israelenses, 175 ativistas foram detidos na operação.
O governo brasileiro e o governo espanhol condenaram a operação israelense em nota conjunta, classificando a interceptação da flotilha como irregular por ter ocorrido fora da jurisdição de Israel. Os dois países exigem a libertação imediata dos detidos e o retorno seguro dos cidadãos envolvidos. O Itamaraty afirma que a missão tinha caráter humanitário e visava levar suprimentos à população civil da Faixa de Gaza.
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*Com informações da AFP