Vírus Nipah, com 75% de letalidade, preocupa: Brasil está pronto?
A pandemia de Covid-19 deixou lições; entenda a estrutura atual do sistema de vigilância sanitária do país para detectar e conter novos vírus
compartilhe
SIGA
O vírus Nipah é um patógeno com alto índice de letalidade que tem afetado países na Ásia, principalmente a Índia. Assim como o covid-19, o vírus foi listado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como uma das doenças que merecem uma pesquisa prioritária pelo potencial de causar uma epidemia global.
Os recentes casos na Índia geram uma preocupação em alguns brasileiros. Será que o país estaria preparado para enfrentar uma nova ameaça viral em larga escala?
O Nipah é um vírus zoonótico, transmitido de animais para pessoas. Seus hospedeiros naturais são os morcegos frugívoros, mas ele também pode infectar porcos e outros animais domésticos. A transmissão para humanos ocorre por contato direto com animais infectados ou pelo consumo de alimentos contaminados, como frutas parcialmente comidas por morcegos.
Leia Mais
-
Entenda o que é Nipah vírus, doença que acendeu alerta após morte de adolescente na Índia
-
Estamos próximos de uma nova pandemia? O que se sabe sobre HKU5 e MERS
-
Qual doença infecciosa será o provável maior problema emergente em 2025?
A transmissão entre pessoas também é possível, especialmente em ambientes hospitalares, através do contato próximo com secreções de um paciente infectado. Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça e dores musculares, mas podem evoluir rapidamente para quadros neurológicos graves, como encefalite, convulsões e coma. A taxa de letalidade varia entre 40% e 75%, segundo a OMS, e não há vacina ou tratamento específico.
Lições da pandemia e a estrutura atual
A pandemia de Covid-19 foi responsável por mais de 700 mil mortes no Brasil de acordo com o governo federal. O período crítico gerou um fortalecimento da rede de laboratórios públicos, como os da Fiocruz e do Instituto Butantan, que hoje possuem maior capacidade de diagnóstico molecular e sequenciamento genético.
O Sistema Único de Saúde (SUS) também demonstrou resiliência, chegando a todas as partes do país. A conscientização pública sobre medidas de higiene e a importância da vacinação aumentou, o que pode facilitar a adesão a futuras campanhas de prevenção e controle.
Contudo, desafios ainda persistem. O subfinanciamento do SUS, a desarticulação entre os governos federal, estaduais e municipais, e a dependência de insumos importados são vulnerabilidades expostas durante a crise sanitária anterior.
A vigilância em áreas remotas, especialmente na Amazônia, onde o contato entre humanos e animais silvestres é intenso, continua sendo um ponto fraco.
Como o Brasil detectaria um caso de Nipah?
A detecção de um caso suspeito seguiria um protocolo de vigilância. Um paciente com sintomas respiratórios ou neurológicos agudos, e um histórico de viagem para países com surtos ativos do vírus, como a Índia, acionaria o alerta. Amostras seriam coletadas e enviadas para um dos laboratórios de referência no país.
O Brasil possui capacidade técnica para detectar o vírus Nipah, mas a velocidade da resposta é o fator determinante para conter um surto. A integração entre a vigilância humana, animal e ambiental, conceito conhecido como Saúde Única, é fundamental para antecipar riscos. O país avançou, mas a prontidão para uma nova ameaça depende diretamente de investimento contínuo e de uma coordenação política eficiente e centralizada.
Apesar da preocupação, o vírus Nipah representa pouco risco para o Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, o patógeno tem potencial baixo de causar uma nova pandemia, já que a incidência em países da Ásia está ligada à presença de uma espécie de morcegos que serve de hospedeiro para o vírus, e esses animais não vivem no continente americano.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
*Estagiária sob supervisão do editor João Renato Faria