O caso da corretora de imóveis mineira desaparecida em dezembro de 2025 e encontrada morta na manhã desta quarta-feira (28/1), em Caldas Novas (GO), acendeu um alerta para milhares de brasileiros que vivem em condomínios. A prisão do síndico do prédio e do filho dele como suspeitos do crime trouxe à tona uma preocupação fundamental: a pessoa responsável por zelar pela segurança pode, em alguns casos, ser a principal fonte de risco. Essa situação levanta um debate essencial sobre como avaliar a gestão da segurança no lugar onde moramos.

A segurança de um condomínio vai muito além de muros altos e portões automáticos. Ela depende diretamente de uma administração atenta e de protocolos bem definidos. Quando a gestão é falha, brechas perigosas podem surgir, expondo famílias a riscos que poderiam ser evitados. Por isso, é crucial que os moradores estejam atentos a sinais que indicam negligência ou má administração.

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Observar o dia a dia e a postura do síndico pode fazer toda a diferença. Veja cinco sinais de alerta que indicam problemas na gestão da segurança do seu prédio.

Sinais de que a segurança pode estar em risco

1. Controle de acesso falho
Um dos sinais mais claros de problema é a falta de um controle rigoroso na portaria. Portões que ficam abertos por muito tempo, interfones que não funcionam, entrada de entregadores sem identificação ou registro e o livre acesso de visitantes sem autorização prévia são falhas graves. A portaria é a primeira linha de defesa e qualquer descuido nessa área compromete todo o sistema.

2. Equipamentos com defeito ou obsoletos
Câmeras de segurança que não gravam, estão apontadas para locais inúteis ou simplesmente não funcionam são um grande perigo. O mesmo vale para cercas elétricas desativadas e alarmes com defeito. A manutenção preventiva desses equipamentos é obrigação da gestão. A falta de investimento em atualização tecnológica também pode deixar o condomínio vulnerável.

3. Falta de transparência da gestão
Um gestor que não comunica ocorrências, como furtos ou tentativas de invasão, e que evita prestar contas sobre os gastos com segurança, gera desconfiança. A comunicação transparente é vital para que todos os moradores saibam o que está acontecendo e possam contribuir para um ambiente mais seguro.

É o caso vivido por moradores de um condomínio no bairro Jardim das Alterosas, em Betim (MG), Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em entrevista com o Estado de Minas, um dos condôminos, o advogado Elias Ataíde da Silva, de 46 anos, relatou que todos os moradores estão insatisfeitos com a postura da síndica. Segundo ele, a gestão não atende os moradores e ameaça processá-los em um impasse de desmembramento do condomínio e pedidos de transparência. "Queremos a prestação de contas 'e ela não apresenta”, afirmou.

Em contato com a reportagem, a síndica Daiana Rodrigues Sommerlath, dona do SD Grupo Imobiliário, negou as acusações. Dentre os argumentos da defesa dela, a advogada Fernanda Laudares afirmou que a prestação de contas é apresentada em um processo formal, durante uma assembleia, feito a cada ano. "A última foi feita há três meses, quando ela foi eleita, e a prestação de contas era em relação ao antigo síndico. Agora espera-se um ano para a próxima AGO quando vai-se prestar contas novamente", afirmou.

4. Alta rotatividade de funcionários
Trocas constantes de porteiros, zeladores e equipes de limpeza podem indicar problemas de gestão ou condições de trabalho ruins. Além de criar um ambiente instável, essa rotatividade impede que os funcionários conheçam os moradores e as rotinas do prédio, o que é fundamental para identificar movimentações suspeitas.

5. Reclamações de segurança ignoradas
Quando os moradores reportam problemas, como uma lâmpada queimada em uma área escura ou um portão com defeito, e o síndico não toma providências, o descaso fica evidente. A omissão diante de queixas é um sinal claro de que a segurança não é tratada como prioridade.

O morador do condomínio mencionado de Betim também contou à reportagem que a gestão do condomínio onde mora constantemente ignorava reclamações feitas pelos condôminos. “Pedimos melhorias e ela não apresenta. Fizemos um boletim de ocorrência na semana passada, e, coincidentemente, ela apareceu no outro dia instalando o motor do portão", relatou, em setembro de 2025.

Ao identificar um ou mais desses problemas, os moradores devem agir. Participe das assembleias, questione a administração e formalize suas reclamações por escrito. Organizar-se com outros vizinhos para cobrar melhorias é a forma mais eficaz de garantir a proteção de todos. Em casos mais graves, não hesite em denunciar comportamentos inadequados aos órgãos competentes, como a polícia ou o Ministério Público, para evitar que falhas de gestão se transformem em tragédias.

*Com informações de Mariana Costa

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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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