Dança sensual do Maranhão, cacuriá viraliza e conquista a internet
Vídeo do primeiro ensaio do Cacuriá do Candinho ultrapassa 1 milhão de views e amplia a visibilidade da tradição maranhense no país
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Uma coreografia marcada por sensualidade, sincronia e duplos sentidos colocou o cacuriá no centro das atenções. Tradicional do Maranhão, a dança ganhou grande repercussão nas redes sociais após a circulação de um vídeo do primeiro ensaio do Cacuriá do Candinho, grupo de Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís.
Publicado na última quarta-feira (28/1) por um dos integrantes do grupo, o registro rapidamente ultrapassou a marca de 1 milhão de visualizações. As imagens evidenciam a dinâmica do cacuriá, com pares dançando em roda e movimentos intensos de quadril, o que despertou comentários entusiasmados, inclusive de estrangeiros, que elogiaram a harmonia e a precisão dos brincantes. Veja:
A repercussão foi celebrada por artistas ligados à tradição. Em entrevista ao g1, a cantora e caixeira do Cacuriá de Balaio de Rosas, Rosa Reis, destacou a importância do momento para a projeção da manifestação cultural maranhense no Brasil e fora dele: “Eu fico muito feliz, muito satisfeita com toda essa repercussão do nosso cacuriá, essa manifestação tão nova, né, e que já tem esse sucesso de público. Eu me sinto muito lisonjeada com tudo isso. Parabéns ao Candinho, parabéns a todos que fazem esse cacuriá maravilhoso, essa manifestação linda, envolvente, que aglutina muita gente jovem”.
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Nas redes sociais, internautas relataram nunca ter visto algo semelhante e ressaltaram a diversidade e a riqueza cultural do país. Muitos elogiaram o gingado, a energia e a expressividade dos dançarinos, além de demonstrarem curiosidade em conhecer mais sobre a tradição maranhense. “A malemolência do Brasil inteiro concentrada apenas no Maranhão", escreveu um usuário do X (antigo Twitter).
“Como pode, nunca tinha ouvido falar nessa dança, achei lindo. O Brasil é um centro vasto de cultura e danças que nem sabemos que existe. Obrigada por nos apresentar”, comentou outro. “37 anos na cara e é a primeira vez que to vendo essa dança. Viver no Brasil é uma eterna descoberta”, disse um terceiro.
Criado em 1973, em São Luís, o cacuriá surgiu a partir da iniciativa do folclorista Alauriano Campos de Almeida, conhecido como “Seu Lauro”. Inicialmente vinculado às festas juninas, o ritmo rapidamente se espalhou pela capital e ganhou identidade própria, marcada por coreografias sensuais e músicas carregadas de metáforas e provocações.
A dança é executada em duplas organizadas em uma roda, o chamado cordão. Os pares seguem passos coreografados que combinam rebolado acentuado, improviso e constante interação com o público. O contato entre os parceiros, os sorrisos e as trocas de olhar fazem parte da encenação, que traduz crenças, costumes e o espírito festivo do Maranhão.
Musicalmente, o cacuriá reúne influências de marcha, valsa e samba. O ritmo é conduzido pelas caixeiras, responsáveis por cantar as toadas, que abordam temas como a natureza, tradições locais, brincadeiras antigas e desejos populares. Uma voz puxa os versos, enquanto o restante do grupo responde em coro, muitas vezes repetindo estrofes improvisadas.
As canções são acompanhadas principalmente pelas Caixas do Divino, pequenos tambores geralmente confeccionados com couro de boi. Dependendo do grupo, outros instrumentos também compõem o som, como banjo, violão, clarinete e flauta.
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Os figurinos ajudam a reforçar a identidade visual da dança. As mulheres costumam vestir blusas curtas e saias longas e rodadas, adornadas com flores no cabelo. Já os homens aparecem com coletes sem camisa ou roupas bordadas, quase sempre em harmonia com as estampas usadas pelas parceiras.