Fundos de pensão crescem 82% e debatem aperfeiçoamento
Embora viva um momento positivo, a previdência complementar fechada prioriza o debate sobre os principais desafios do setor. No 47º Congresso da Abrapp, o Espaço UniAbrapp reuniu apresentações e discussões sobre temas relevantes para o aprimoramento do sistema e a qualidade de vida dos brasileiros.
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Com 8,3 milhões de pessoas atendidas e patrimônio total superior a R$ 1,4 trilhão, o sistema de previdência complementar fechada cresceu 82% nos últimos 10 anos, segundo a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). Apesar desses números positivos, o setor planeja continuar crescendo mais, levando em conta a situação previdenciária do país e as necessidades da população de ter melhor qualidade de vida na aposentadoria.
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“O setor vive um momento favorável, mas trabalha para continuar crescendo e se aperfeiçoando, para cumprir plenamente seu importante papel social”, afirma Jarbas de Biagi, presidente da Universidade Corporativa da Previdência Complementar (UniAbrapp). “Por isso, estamos em constante movimento, privilegiando os estudos e debates sobre os temas que nos permitem atender cada vez melhor os brasileiros”.
Para alcançar esse objetivo, Jarbas de Biagi informou que foi organizado um amplo painel de apresentações e diálogos: o Espaço UniAbrapp, em que foi debatido por especialistas durante três dias o quadro atual, as prioridades e as necessidades do setor. O Espaço UniAbrapp fez parte do 47º Congresso de Previdência Privada, realizado em São Paulo de 21 a 23 de outubro.
As apresentações evidenciaram a necessidade de as entidades fechadas de previdência complementar (EFPC) se adaptarem a um cenário em constante transformação, marcado por mudanças regulatórias, avanços tecnológicos, novas demandas dos participantes e pela crescente complexidade na gestão organizacional. A proposta da UniAbrapp foi oferecer conteúdos objetivos e aplicáveis ao cotidiano das entidades, complementados por momentos de interação entre palestrantes e participantes por meio do formato "Papo com Especialistas".
Entre os temas de maior destaque estiveram as questões ligadas à governança e aos mecanismos de controle. As discussões abordaram o papel estratégico dos conselhos fiscais, a utilização de indicadores contábeis, a governança atuarial e a responsabilidade de conselheiros e dirigentes, reforçando a importância da transparência, da prestação de contas e da tomada de decisões fundamentadas para a sustentabilidade dos planos previdenciários.
A transformação digital também ocupou posição central nos debates. Como lembrou Jarbas de Biagi, “as palestras sobre segurança digital alertaram para a necessidade de fortalecer a proteção de dados, sistemas e processos diante do aumento das ameaças cibernéticas”. Em paralelo, as discussões sobre inovação e inteligência artificial abordaram o potencial das novas tecnologias para aumentar a eficiência, aprimorar a gestão e melhorar os serviços oferecidos aos participantes.
Outro eixo relevante da programação foi a gestão de investimentos. Especialistas destacaram a crescente incorporação dos critérios ambientais, sociais e de governança (ASG) nas estratégias das EFPC, bem como a importância de identificar evidentes e menos perceptíveis que podem afetar o desempenho das carteiras. O objetivo foi estimular uma visão mais ampla sobre sustentabilidade, responsabilidade fiduciária e proteção dos interesses de longo prazo dos participantes.
“Não podíamos deixar de tratar, no Espaço UniAbrapp, o fortalecimento da cultura previdenciária”, lembra Jarbas de Biagi. “Temas relacionados à educação financeira, ao estímulo à poupança de longo prazo e à ampliação do interesse pela previdência complementar mostraram a preocupação do setor em ampliar sua relevância para diferentes públicos. A centralidade do participante nas decisões das entidades apareceu como elemento fundamental para ampliar o engajamento e fortalecer a confiança no sistema”.
Os debates também abordaram essas questões. As apresentações também abriram espaço para reflexões sobre competências humanas e comportamentais. Assuntos como equilíbrio emocional, influência nas relações profissionais, decisões colegiadas e resolução consensual de conflitos ressaltaram a importância das habilidades interpessoais para a boa governança e para a construção de ambientes institucionais mais colaborativos.
Segundo o presidente da UniAbrapp, a longevidade e as transformações demográficas completaram o panorama dos debates. As palestras dedicadas ao novo modo de envelhecer e às escolhas relacionadas ao futuro financeiro destacaram a necessidade de repensar modelos de proteção social e planejamento previdenciário diante de uma população que vive cada vez mais e busca maior qualidade de vida ao longo da aposentadoria
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No balanço sobre os debates e a interação entre participantes e especialistas, Jarbas de Biagi afirmou: "Com uma agenda diversificada e conectada às principais tendências que impactam o setor, o Espaço UniAbrapp reafirmou seu papel como ambiente de formação, atualização e troca de experiências. Mais do que apresentar conteúdos, a iniciativa promoveu conexões entre profissionais e especialistas, contribuindo para o fortalecimento da governança, da inovação e da sustentabilidade da previdência complementar fechada no Brasil."