Land Art: artistas transformam natureza em telas
Movimento artístico iniciado nos Estados Unidos e na Inglaterra transforma paisagens naturais em matéria-prima ou plataforma para expressão em diferentes partes do mundo
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Unindo as palavras de origem inglesa "land" (terra) e "art" (arte), a Land Art surgiu no fim da década de 1960 nos Estados Unidos e na Inglaterra, quando um grupo de artistas passou a usar as paisagens naturais como material de trabalho. Em vez de pintar ou esculpir representações da natureza, esses artistas intervinham diretamente sobre ela, deslocando terra, pedra, água e outros elementos do ambiente para compor suas obras.
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O movimento, que nasceu como reação à cultura de galerias e museus e ao mercado de arte da época, também dialogava com o minimalismo e a arte conceitual, correntes que já discutiam o papel do espaço e da matéria na produção artística. Por serem feitas ao ar livre e em locais remotos, muitas obras de Land Art são conhecidas principalmente por fotografias, filmes e mapas, já que o acesso físico costuma ser difícil ou restrito.
Um dos primeiros nomes a trabalhar esse tipo de instalação artística ao ar livre foi Robert Smithson (1938-1973). Sua obra mais conhecida, a "Spiral Jetty", foi construída em 1970 na margem norte do Grande Lago Salgado, em Utah, como uma espiral de basalto negro e terra. A obra, que hoje pertence à Dia Art Foundation, organização nova-iorquina dedicada a viabilizar obras que, pela escala, não caberiam em museus tradicionais, tem 460 metros de comprimento e cerca de 6 mil toneladas de material retirado do próprio local. Dependendo do nível da água, ela aparece ou desaparece sob a superfície.
Formada em biologia pela Universidade Tufts, Nancy Holt (1938-2014), esposa de Smithsons, também uniu sua paixão à Land Art para seguir carreira. Dentre suas criações está a Sun Tunnels, erguida entre 1973 e 1976 no deserto de Great Basin, também em Utah. A obra consiste em quatro cilindros de concreto parafusados em formato de cruz, cujos furos reproduzem as constelações de Draco, Perseu, Pomba e Capricórnio, sendo dois deles alinhados com o nascer e com o pôr do sol nos dias de solstícios. Foi a primeira peça de Land Art feita por uma mulher a integrar o acervo da Dia Art Foundation.
Já o inglês Andy Goldsworthy, nascido em 1956, é conhecido por integrar o conceito da efemeridade na Land Art. Apostando em esculturas temporárias moldadas à mão, Goldsworthy tem como matérias-primas folhas, gelo, neve, pedras e galhos encontrados nas localidades. Suas criações costumam durar poucas horas antes de serem desfeitas pelo vento, pela maré ou pelo derretimento, sobrevivendo principalmente por meio de fotografias.
Nas décadas seguintes, a Land Art passou a ganhar novas geografias, temas e materiais. A cubana Ana Mendieta (1948-1985), radicada nos Estados Unidos desde os 12 anos, onde passou a estudar a arte vanguardista contemporânea, usou a Land Art para investigar a relação entre a natureza e o corpo feminino. Seus trabalhos mais marcantes compõem a série "Silhuetas", iniciada em 1973, na qual imprimia o contorno do próprio corpo no solo e compunha a imagem com terra, flores, fogo ou sangue, sempre registrando a obra em foto ou vídeo. Em 1980, voltou a Cuba pela primeira vez desde sua ida para os Estados Unidos, tornando-se a única artista americana autorizada a expor na ilha. Parte de seu trabalho já foi exibida no Sesc Pompeia, em São Paulo, durante a mostra "Silhueta em Fogo", entre setembro de 2023 e janeiro de 2024.
Já o artista japonês Tomohiro Kajiyama começou a desenhar sobre a neve a partir de 2019, com um estilo próprio batizado de free-leg, que consiste no caminhar livre sobre a neve, usando um par de pequenos esquis e sem ferramentas de medição. Suas snow arts se estendem por quilômetros de paisagem congelada no norte do Japão e desaparecem com o degelo, sendo registradas por fotografias e filmagens.
Uma amostra de seu trabalho está em cartaz na exposição "Shiro, uma escala de nuances" na Japan House São Paulo, na Avenida Paulista. Até 25 de outubro, a exposição reúne fotografias e um vídeo do processo de criação do artista, ao lado de outros trabalhos que abordam o papel da cor branca na cultura nipônica a partir de elementos importantes para o povo japonês, como a neve, a seda, o papel (washi) e o sal. A mostra, instalada no andar térreo da instituição, tem entrada livre e gratuita.
Serviço:
Dia Beacon - EUA
Endereço: Riggio Galleries - 3 Beekman Street, Beacon, New York
Horário de funcionamento: sexta a segunda, das 10h às 17h
Entrada: entre $ 5 e $ 25
Mais informações no site: https://www.diaart.org/visit/visit-our-locations-sites
Dia Chelsea - EUA
Endereço: 537 West 22nd Street, New York, New York
Horário de funcionamento: quarta a sábado, das 12h às 18h
Entrada gratuita
Dia Bridgehampton - EUA
Endereço: 23 Corwith Avenue, Bridgehampton, New York
Horário de funcionamento: sexta a domingo, das 11h às 14h, e das 14h30 às 17h
Entrada gratuita
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Japan House São Paulo - BR
Exposição Shiro: uma escala de nuances
Endereço: Av. Paulista, 52 – andar térreo – Bela Vista, São Paulo (SP)
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h
Entrada gratuita
Website: http://www.japanhousesp.com.br