Lipo HD tem resultados artificiais? Cirurgião explica
Cirurgião plástico Dr. Enio Giacchetto explica por que o aspecto artificial está mais relacionado ao excesso de marcação e à indicação inadequada do que à técnica em si, além de abordar a busca atual por resultados mais naturais no contorno corporal.
compartilhe
SIGA
A lipoaspiração permanece entre os procedimentos cirúrgicos estéticos mais realizados no mundo. Segundo o Global Survey 2024 da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), divulgado em 2025, o Brasil ocupa a primeira posição mundial em número de cirurgias plásticas estéticas. No país, foram registradas 289.766 lipoaspirações no período analisado, correspondentes a 12,3% das cirurgias estéticas contabilizadas. O aumento da procura também amplia a discussão sobre os diferentes níveis de definição que podem ser buscados com a técnica.
A lipoaspiração de alta definição, conhecida como Lipo HD, diferencia-se da lipoaspiração convencional por trabalhar de maneira mais seletiva os depósitos de gordura, buscando evidenciar determinadas referências anatômicas. A técnica pode atuar nas camadas superficiais e profundas do tecido adiposo para criar transições entre regiões de maior e menor projeção. O objetivo é destacar contornos que já fazem parte da anatomia do paciente, e não criar uma estrutura muscular que não exista.
A preocupação com um resultado excessivamente marcado também aparece na literatura médica. Uma revisão publicada no Aesthetic Surgery Journal Open Forum, que analisou a evolução da lipoaspiração ultrassônica de definição em pacientes homens ao longo de mais de 15 anos, identificou mudanças na percepção dos resultados. De acordo com o estudo, marcações mais agressivas, utilizadas em abordagens iniciais da técnica, foram associadas à percepção de um abdômen artificial. A evolução das técnicas passou a considerar marcações mais discretas e individualizadas, de acordo com a anatomia de cada paciente.
A percepção de artificialidade, segundo o cirurgião plástico Dr. Enio Giacchetto, está mais relacionada à intensidade da marcação e à indicação do procedimento do que à técnica em si. “O aspecto artificial geralmente está relacionado a uma marcação excessiva, que não respeita a anatomia individual, ou à indicação do procedimento para um paciente que não apresenta as características adequadas. A alta definição não deve impor um desenho ao corpo, mas valorizar os contornos que já fazem parte daquela anatomia”, explica.
A indicação começa pela avaliação individual. Pessoas próximas de um peso considerado adequado para sua estrutura corporal, com gordura localizada e condições de pele compatíveis, podem ser avaliadas para a técnica, mas a decisão depende das características anatômicas e clínicas de cada caso. Assim como outras modalidades de lipoaspiração, a Lipo HD não tem como finalidade promover emagrecimento nem deve ser considerada tratamento para obesidade.
A intensidade da definição também pode ser planejada. Nem todo paciente que apresenta indicação para lipoaspiração precisa buscar um abdômen extremamente marcado. A avaliação considera fatores como distribuição de gordura, elasticidade da pele, estrutura muscular e proporções corporais para determinar quais regiões podem ser trabalhadas e qual nível de definição é compatível com aquela anatomia.
“Cada pessoa apresenta proporções, distribuição de gordura, qualidade de pele e características musculares próprias. O planejamento anatômico individualizado é fundamental para buscar um resultado harmônico. A definição precisa funcionar no cotidiano do paciente e não apenas nas fotografias realizadas após a cirurgia”, afirma o Dr. Enio.
Outro ponto é que a definição obtida pela Lipo HD não significa criação de massa muscular. A técnica atua sobre o tecido adiposo e pode tornar mais perceptíveis estruturas musculares que já existem. Em alguns casos selecionados, procedimentos associados podem acrescentar volume a determinadas regiões, mas esse efeito não corresponde à hipertrofia produzida pelo treinamento físico. Por isso, a cirurgia não substitui exercícios, alimentação equilibrada ou acompanhamento profissional.
Em pacientes selecionados, o planejamento pode incluir a lipoenxertia intramuscular guiada por ultrassom. Nesse caso, a gordura retirada do próprio paciente é preparada e transferida para regiões musculares específicas com o objetivo de acrescentar volume e evidenciar determinados contornos. A técnica exige indicação precisa, controle anatômico e atenção à segurança.
A discussão sobre naturalidade também está relacionada às expectativas do paciente. Para o Dr. Enio, o planejamento deve considerar a estrutura corporal individual e evitar marcações incompatíveis com a anatomia. “Os pacientes estão mais informados e muitos procuram resultados que não pareçam padronizados. A proposta atual é planejar a definição de acordo com a estrutura corporal de cada pessoa, preservando sua identidade e evitando marcações incompatíveis com sua anatomia”, avalia.
A Lipo HD não produz necessariamente um resultado artificial. Uma aparência excessivamente marcada pode estar relacionada à intensidade da definição, à seleção inadequada do paciente, ao planejamento incompatível com sua anatomia ou a limitações individuais que não foram corretamente consideradas. Como toda cirurgia, a lipoaspiração envolve riscos e não permite garantir um resultado específico.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
“Definição e naturalidade não são conceitos opostos. Quando a cirurgia respeita a anatomia, as proporções e as características individuais, é possível buscar um corpo mais contornado sem retirar a identidade do paciente”, conclui o Dr. Enio.
Website: https://www.instagram.com/dreniogiacchetto/