Com 652 mil alunos no Direito, prática vira diferencial
O curso de Direito soma 652,9 mil matrículas no Censo da Educação Superior de 2024, do Inep, e a correspondência jurídica surge como caminho de experiência antes da formatura. Priscila Pinheiro e Gian Nunes, do Correspondente Dinâmico, explicam quais atividades já podem ser assumidas por estudantes e como o cadastro na plataforma conecta profissionais a demandas em todo o país.
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O curso de Direito alcançou 652,9 mil matrículas e está entre as três graduações com maior número de estudantes no Brasil, segundo o Censo da Educação Superior de 2024, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O volume expressivo de futuros profissionais recoloca uma questão antiga em evidência: como esses estudantes podem construir experiência antes de concluir a graduação, período em que a correspondência jurídica desponta como uma das portas de entrada para a rotina da profissão.
A correspondência jurídica abrange um conjunto de tarefas mais amplo do que a atuação privativa da advocacia. Segundo Priscila Pinheiro, advogada e CEO do Correspondente Dinâmico, existem atividades de apoio que não exigem inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e podem representar uma oportunidade de experiência para estudantes e bacharéis, desde que respeitados os limites legais de cada função.
“Entre elas estão a obtenção de documentos e certidões, protocolos e entregas, levantamentos de informações, acompanhamento de procedimentos administrativos e determinadas diligências em cartórios, órgãos públicos e instituições privadas”, enumera a advogada. Para ela, esse contato com a rotina jurídica é especialmente relevante ao estudante, pois permite vivenciar situações que complementam o conhecimento adquirido na faculdade.
Do cadastro à disputa por demandas
O cofundador e especialista em tecnologia da plataforma, Gian Nunes, explica que o cadastro no Correspondente Dinâmico é gratuito e permite que o profissional crie um perfil, informe as localidades e áreas em que deseja atuar e passe a integrar o diretório. A partir disso, torna-se possível acompanhar a existência de demandas compatíveis com o perfil e a região de atuação.
“Estar no diretório também aumenta a possibilidade de ser encontrado por escritórios e outros contratantes que procuram apoio local”, afirma Nunes. Ele acrescenta que, para quem ainda está construindo sua rede profissional, essa presença reduz a dependência exclusiva de indicações pessoais e cria um novo canal de contato com o setor.
O plano Premium amplia a forma como o correspondente acessa e disputa oportunidades. Nas cidades ativas em seu plano, o profissional consegue visualizar os detalhes das demandas disponíveis e enviar propostas diretamente aos contratantes, o que torna a participação mais ativa.
“Em vez de apenas manter um perfil disponível para ser localizado, ele pode avaliar as oportunidades e decidir quais fazem sentido para sua região, disponibilidade e perfil profissional”, descreve Priscila Pinheiro. A CEO pondera que o retorno financeiro depende da quantidade de serviços efetivamente contratados e dos valores negociados em cada demanda.
Uma década de conexões profissionais
Com mais de dez anos de operação, a plataforma foi ajustando sua tecnologia para diminuir a distância entre contratantes e correspondentes, considerando fatores como localização e perfil de atuação na distribuição das oportunidades. O crescimento da base, segundo Gian Nunes, criou um efeito de rede que amplia a capacidade de atendimento.
“Quanto maior a presença de correspondentes em diferentes localidades, maior a capacidade de atender contratantes que possuem demandas espalhadas pelo país”, avalia o especialista. Dessa forma, uma oportunidade criada por um escritório pode chegar a profissionais capazes de executá-la localmente, tornando mais organizada e escalável uma busca que antes dependia de contatos e indicações.
Para Priscila Pinheiro, um dos maiores desafios de quem ainda está na faculdade é romper o ciclo em que a experiência é exigida justamente de quem procura a primeira oportunidade. A correspondência jurídica, de acordo com a advogada, pode ser uma maneira de construir essa vivência de forma gradual, conciliando determinadas demandas com os estudos e conhecendo o funcionamento de cartórios, órgãos públicos e outras estruturas presentes na rotina da área.
“A correspondência não exige necessariamente experiência prévia, sendo uma excelente oportunidade para estudantes se inserirem no mercado jurídico, mesmo ainda na faculdade, já adquirindo experiência, o que faz toda a diferença em sua trajetória profissional”, conclui.
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