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Menopausa, obesidade e lipedema afetam o corpo feminino

Ganho de gordura abdominal, perda de massa muscular, aumento do volume das pernas e dificuldade para emagrecer podem surgir em diferentes condições e até coexistir na mesma mulher. O médico André Magalhães de Sá, com atuação em emagrecimento e saúde metabólica no Rio de Janeiro, explica por que olhar apenas para a balança pode esconder alterações hormonais, metabólicas e clínicas importantes.

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Menopausa, obesidade e lipedema são condições distintas, que podem provocar mudanças na distribuição da gordura, interferir na composição corporal e, em determinadas pacientes, aparecer simultaneamente. Diferenciá-las é importante porque cada uma apresenta características, riscos e necessidades terapêuticas próprias. Em um país em que 59% da população convive com sobrepeso ou obesidade, segundo pesquisa Datafolha, compreender o que está por trás das mudanças corporais ganha ainda mais relevância.

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Para o Dr. André Magalhães de Sá, a investigação precisa ir além do número mostrado na balança. “A mulher pode estar com o mesmo peso de antes e, ainda assim, ter um corpo metabolicamente muito diferente. Essa é uma das mudanças mais silenciosas da transição menopausal. Muitas mulheres percebem aumento da barriga, redução da firmeza corporal e maior dificuldade para ganhar músculos, mesmo quando a balança quase não se altera”, afirma.

De acordo com o médico, é importante, primeiro, diferenciar a menopausa da perimenopausa. “A perimenopausa é um período de transição marcado por irregularidade da função ovariana. Nessa etapa, podem ocorrer ciclos sem ovulação, redução da produção de progesterona e grandes oscilações do estradiol. Costumo dizer que a perimenopausa é uma fase de desorganização hormonal. Os hormônios ainda estão sendo produzidos, mas de maneira irregular e imprevisível”, explica.

A menopausa representa outro cenário. Conforme artigo publicado na National Library of Medicine, com o esgotamento da função ovariana, ocorre uma redução sustentada da produção de estradiol e progesterona. “Nesse momento, não estamos diante de uma verdadeira falência hormonal ovariana. A redução do estradiol pode favorecer o acúmulo de gordura na região abdominal e visceral. Ao envelhecimento, o sedentarismo, a piora do sono e a redução dos estímulos musculares contribuem para a perda de massa magra e para a diminuição do gasto energético. A mulher perde músculos, acumula gordura abdominal e percebe que o corpo já não responde da mesma maneira”, complementa o médico.

Boa parte dessas queixas se concentra em mulheres a partir dos 40 anos, faixa em que a perimenopausa e a menopausa prevalecem e mais alteram a composição corporal. Com a queda do estrogênio, a gordura antes distribuída em quadris e coxas migra para o abdômen, enquanto a perda de massa magra se acelera. Informações divulgadas pela Metrópoles mostram que, mais do que engordar, as mulheres nessa fase enfrentam mudança na composição corporal, com aumento da gordura visceral associada a maior risco de diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.

“Nem toda mudança abdominal depois dos 40 anos se resume à transição hormonal. É importante investigar quanto peso foi ganho, onde a gordura passou a se acumular, quanto músculo foi perdido e quais consequências já apareceram, uma vez que menopausa e obesidade podem coexistir sem que uma explique integralmente a outra”, acrescenta.

Lipedema também requer atenção

Um quadro frequentemente interpretado como excesso de peso é o lipedema, marcado pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas, muitas vezes acompanhado de dor ao toque, sensação de peso e facilidade para o aparecimento de hematomas.

“Quando a mulher emagrece no rosto, nos braços e no abdômen, mas as pernas parecem permanecer praticamente iguais, é preciso parar de chamar tudo de gordura comum. Um dos principais sinais do lipedema é a desproporção entre o tronco e os membros inferiores. A mulher pode apresentar cintura e parte superior do corpo relativamente menores, enquanto quadris, coxas e pernas concentram um volume muito maior”, detalha Dr. André de Sá.

Entretanto, conforme assinala o médico, nenhum sinal isolado é suficiente para estabelecer o diagnóstico. A avaliação deve considerar o conjunto das características clínicas e a história de cada paciente. “Lipedema e obesidade envolvem aumento do tecido adiposo, mas não representam exatamente o mesmo processo. A confusão acontece porque muitas mulheres apresentam as duas condições ao mesmo tempo. Uma paciente pode ter lipedema e, ao longo dos anos, desenvolver obesidade”, acentua Dr. André de Sá.

As alterações hormonais também aparecem entre os fatores associados à manifestação ou piora dos sintomas do lipedema. Segundo o consenso internacional, períodos marcados por grandes oscilações hormonais, como puberdade, gestação e menopausa, são frequentemente relacionados ao início ou à exacerbação do quadro.

Tratamento deve considerar o perfil de cada paciente

Menopausa, obesidade e lipedema são condições diferentes, mas podem coexistir e se potencializar. “A mulher pode apresentar lipedema desde a juventude, desenvolver obesidade ao longo da vida e, durante a menopausa, passar a acumular mais gordura abdominal e perder massa muscular. Nesse cenário, existe uma sobreposição de alterações hormonais, metabólicas, inflamatórias e funcionais”, completa Dr. André de Sá.

Diante da sobreposição de fatores, o acompanhamento clínico individualizado ocupa lugar central na condução dos casos. Avaliação hormonal, análise da composição corporal e ajuste metabólico personalizado orientam decisões que vão da reorganização alimentar e do fortalecimento muscular até terapias específicas, quando indicadas.

“Medicina personalizada não significa oferecer tudo para todos. Significa descobrir o que realmente está acontecendo com aquela mulher e escolher intervenções que tenham propósito, segurança e acompanhamento. Quando menopausa, obesidade e lipedema são reconhecidos adequadamente, a mulher deixa de carregar culpa e passa a ter um plano. E, muitas vezes, é justamente essa compreensão que marca o início de uma transformação verdadeira”, finaliza André de Sá.

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