Urna indígena é achada no Cemitério Quarta Parada
Achado registrado em 1896 indica que o território já era utilizado para práticas funerárias por povos indígenas muito antes da urbanização da região leste de São Paulo
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Muito antes da fundação do atual Cemitério Quarta Parada, na Zona Leste de São Paulo, o local já era utilizado por povos indígenas para práticas funerárias. A constatação vem de um registro histórico de janeiro de 1896, quando uma grande urna funerária indígena foi encontrada durante a abertura de uma sepultura na antiga quadra geral da necrópole.
O achado foi documentado pelo então administrador do cemitério, Bernardino Fernandes, em um ofício encaminhado à Prefeitura de São Paulo. Segundo o registro, a urna continha a ossada de um adulto e não era a primeira descoberta semelhante na região. Após a localização, a peça foi encaminhada, por determinação das autoridades municipais, ao então Museu do Estado.
De acordo com informações do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), quando a urna passou a integrar o acervo museológico, os restos mortais já não a acompanhavam. Como a descoberta ocorreu durante a abertura de um túmulo, e não em uma escavação arqueológica, não há registros sobre outros objetos que poderiam compor o sepultamento nem sobre vestígios encontrados no entorno.
O episódio representa uma importante evidência da ocupação indígena da região antes da expansão urbana da capital paulista. A descoberta demonstra que o território onde hoje está localizado o Cemitério Quarta Parada possuía significado cultural e funerário muito antes da criação oficial da necrópole.
O registro também foi citado pelo pesquisador José Anthero Pereira Júnior no estudo “Apontamentos Arqueológicos – Cerâmica Indígena do Morumbi”, publicado em 1964. No artigo, o autor destaca que achados desse tipo contribuem para ampliar o conhecimento sobre a ocupação do território paulistano e reforçam a importância da preservação do patrimônio arqueológico da cidade.
Para a pesquisadora, professora e guia de turismo Taís Souza, a urna funerária amplia a compreensão sobre a história da região e evidencia as diferentes camadas de memória presentes no território.
“Esse achado é importante porque nos lembra que a história de um território não começa com a construção dos bairros ou dos equipamentos que conhecemos hoje. A urna funerária revela a presença indígena na região e nos ajuda a compreender que esse espaço já era utilizado e carregava significados muito antes da criação do cemitério. Conhecer e preservar esses vestígios é também uma forma de reconhecer as diferentes camadas de memória que formam a história de São Paulo”, afirma.
Visitação apresenta a história do Quarta Parada
Quem deseja conhecer essa e outras curiosidades sobre o Cemitério Quarta Parada pode participar do passeio guiado “Quarta Parada e Suas Vozes”, realizado mensalmente e aberto ao público. A atividade é conduzida por Taís Souza, do @pilulas_sombrias, e pela pesquisadora e especialista em arte cemiterial Viviane Comunale do @patrimonio_funerariosp. O próximo passeio acontecerá no dia 16 de agosto, com liberação do ingresso gratuito no Sympla.
Durante o percurso, os visitantes conhecem aspectos históricos, culturais e artísticos da necrópole, além de personagens, sepultamentos e elementos do patrimônio funerário presentes no local. Os ingressos são gratuitos e disponibilizados antecipadamente pela plataforma Sympla, com datas divulgadas nas redes sociais da Consolare.
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Fundado em 1893, o Cemitério Quarta Parada — antigo Cemitério do Brás — foi criado para atender à crescente população da região, impulsionada pela industrialização e pela chegada de imigrantes. Ao longo de mais de um século, tornou-se um importante espaço de memória da cidade, reunindo túmulos, esculturas e registros que ajudam a contar diferentes momentos da história de São Paulo.