Mundo Corporativo

Qualidade de software ganha papel estratégico

Especialista da Prime Control explica como a qualidade de software passou a integrar a estratégia de negócios em setores regulados, contribuindo para reduzir riscos, fortalecer a conformidade e proteger a receita das empresas

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Em mercados regulados, um erro raramente é apenas um erro. Ele rapidamente pode se transformar em risco operacional, impacto financeiro e dano reputacional. É por isso que qualidade de software deixou de ser um tema técnico e passou a integrar a estratégia dos negócios.

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“A qualidade de software deixou de ser apenas uma preocupação técnica. Em mercados regulados, ela se tornou um elemento estratégico para garantir confiança, conformidade e continuidade dos negócios”, afirma Aline Bucelli Ferreira, gerente de pré-vendas e ofertas da Prime Control, empresa especializada em eficiência digital, automação de processos e garantia de qualidade.

Empresas dos setores financeiro, seguros, energia e saúde precisam ganhar velocidade sem abrir mão de controle, governança, rastreabilidade e conformidade. Nesse cenário, qualidade não é apenas uma etapa do processo, mas um fator essencial para sustentar a confiança, proteger receitas e apoiar o crescimento.

Na prática, o desafio permanece relevante. Ambientes que combinam sistemas legados e novas arquiteturas convivem com restrições no uso de dados sensíveis e baixa rastreabilidade entre requisitos, testes e evidências. O resultado costuma ser um modelo reativo, que valida funcionalidades apenas quando o risco já foi criado.

Além da execução, o desafio está na forma como a qualidade ainda é posicionada dentro das organizações. Em muitas empresas, QA continua sendo tratado como uma atividade operacional, quando deveria atuar de forma estratégica, conectado à gestão de riscos, reputação e resultados. O avanço passa pela adoção de um modelo de qualidade preditiva.

“As empresas mais maduras não esperam a falha acontecer. Elas utilizam indicadores técnicos e operacionais para antecipar riscos, priorizar correções e evitar impactos financeiros, regulatórios e reputacionais antes que os problemas cheguem ao cliente”, explica Aline.

Em ambientes regulados, falhas são percebidas como falhas institucionais. Problemas em sistemas afetam a credibilidade da marca, a relação com os clientes e podem comprometer receitas. Muitas vezes, o consumidor sequer reclama: simplesmente deixa de utilizar o serviço.

Casos recorrentes mostram como indisponibilidades em canais digitais, inconsistências em dados financeiros ou falhas em serviços críticos podem evoluir para investigações regulatórias, sanções e danos reputacionais. Quando envolvem dados sensíveis, o risco se amplia com legislações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), trazendo impactos financeiros e jurídicos.

Apesar desse cenário, muitas empresas ainda concentram investimentos apenas na validação de funcionalidades e deixam em segundo plano práticas que ajudam a prevenir incidentes, como gestão de dados de teste, testes exploratórios, monitoramento sintético e monitoramento da jornada real dos usuários.

Outro avanço necessário é conectar qualidade ao negócio. Isso significa garantir governança, rastreabilidade e uma visão integrada de riscos, relacionando requisitos, testes, evidências e decisões de forma auditável, sempre traduzindo esses elementos em benefícios concretos, como redução de riscos, proteção de receita e maior previsibilidade operacional.

A experiência do cliente também ganha protagonismo. Muitos problemas não aparecem em testes técnicos, mas surgem durante a jornada completa do usuário. Por isso, práticas como cliente oculto digital, testes em condições reais e validação ponta a ponta ajudam a identificar fricções que impactam conversão, retenção e percepção de valor.

Com a incorporação crescente da inteligência artificial aos processos de negócio, a complexidade aumenta. Não basta validar código; torna-se necessário avaliar decisões automatizadas, consistência das respostas, possíveis alucinações, vieses algorítmicos, proteção de dados e a resiliência dos sistemas diante de entradas inesperadas.

“Com a adoção crescente da inteligência artificial, validar apenas o código já não é suficiente. Também é preciso garantir que as decisões automatizadas sejam transparentes, auditáveis e compatíveis com as exigências regulatórias”, destaca a especialista.

Nesse contexto, ganha relevância o conceito de AI Explainability. Em ambientes regulados, além de estar correta, uma decisão precisa ser explicável, garantindo transparência, auditabilidade e conformidade.

Para Bucelli, integrar qualidade, risco e negócio permite antecipar problemas, priorizar ações conforme a criticidade e responder com maior agilidade às demandas do mercado.

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“Velocidade sem qualidade aumenta a exposição ao risco. Quando a qualidade passa a ser tratada como parte da estratégia de negócios, ela protege receita, fortalece a confiança e cria vantagem competitiva sustentável”, conclui Aline.

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