Avanço da longevidade amplia atenção às políticas de cuidado
Dados do IBGE mostram avanço da longevidade e envelhecimento da população, enquanto o país estrutura uma política nacional voltada ao cuidado.
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Segundo a revisão mais recente das Projeções da População do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a esperança de vida ao nascer chegou a 76,6 anos em 2024, o maior valor registrado desde o início da série histórica, em 1940. As estimativas também indicam que o envelhecimento da população continuará se intensificando nas próximas décadas.
Essas transformações demográficas passaram a exigir respostas cada vez mais estruturadas do poder público. Por isso, em dezembro de 2024, o Brasil instituiu a Política Nacional de Cuidados, por meio da Lei nº 15.069, que estabelece diretrizes para garantir o direito ao cuidado e organizar ações destinadas tanto às pessoas que necessitam de cuidados quanto àquelas que exercem esse trabalho.
Expectativa de vida varia entre as unidades da Federação
Embora a expectativa de vida no Brasil tenha aumentado, com a média nacional chegando a 76,6 anos em 2024, os dados do IBGE mostram que a longevidade apresenta diferenças significativas entre as unidades da Federação.
Entre os destaques está a expectativa de vida em Santa Catarina, que chegou a aproximadamente 81,1 anos em 2024, colocando o estado na primeira posição nacional, cerca de quatro anos e meio acima da média brasileira. O Piauí, no outro extremo, registra cerca de 72,4 anos. Esta diferença entre os dois estados, que chega a quase nove anos, está associada a fatores como acesso à saúde, condições socioeconômicas e qualidade de vida, que influenciam diretamente os padrões de mortalidade em cada estado.
Política nacional de cuidados estabelece princípios e diretrizes
O avanço da longevidade e o envelhecimento da população tornam o cuidado um tema cada vez mais estratégico para as políticas públicas. A Política Nacional de Cuidados estabelece princípios e diretrizes para garantir o direito ao cuidado, com ações voltadas tanto às pessoas que necessitam de cuidados quanto àquelas que os prestam.
A legislação prevê a articulação entre diferentes políticas públicas e estabelece a corresponsabilidade pelo cuidado entre Estado, famílias, setor privado e sociedade civil, visando equilibrar as responsabilidades e combater desigualdades, sobretudo a sobrecarga que recai sobre as mulheres, que realizam a maior parte do trabalho não remunerado de cuidado.
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Conforme afirma a presidente da Rede Conecta Saberes, Francine Canto Boico, “o aumento da expectativa de vida é uma das maiores conquistas da sociedade brasileira, mas também traz novos desafios coletivos. O cuidado precisa ser reconhecido como uma política pública estruturante, capaz de garantir apoio às pessoas que necessitam de cuidados e criar condições para que quem cuida também seja protegido e valorizado. Só assim viver mais poderá significar envelhecer com dignidade, autonomia e proteção social.”
Website: https://conectasc.com.br/