Mundo Corporativo

Mentalidade executiva influencia o PIB, aponta economista

Dados da Gallup apontam que o baixo engajamento custa US$ 8,9 trilhões em produtividade perdida por ano, equivalente a 9% do PIB global. Para a economista e mentora executiva Érica Hatori, a origem dessa perda está no estado emocional de quem decide. Com base em economia comportamental, neurociência e 25 anos de experiência executiva, ela defende que a regulação emocional da liderança tem impacto direto no resultado.

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O estado emocional de líderes empresariais influencia diretamente a tomada de decisão e, por consequência, o desempenho econômico do país. A tese, respaldada pela economia comportamental, aponta que decisões tomadas sob desregulação emocional comprometem a alocação de capital, a inovação e a produtividade das equipes, com efeitos que se propagam pela cadeia produtiva e impactam o Produto Interno Bruto (PIB).

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Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Economia de 2002, demonstrou que agentes econômicos não operam com a racionalidade idealizada pela teoria neoclássica. Vieses cognitivos e estados emocionais distorcem sistematicamente as decisões. Quando aplicado ao ambiente corporativo, o fenômeno ganha escala: um CEO ou empresário emocionalmente desregulado toma decisões que afetam fornecedores, empregos e, em última instância, o PIB.

O custo invisível do engajamento perdido

Os dados da Gallup State of the Global Workplace 2024 revelam que apenas 23% dos trabalhadores no mundo se declaram engajados no trabalho. O custo estimado dessa desconexão é de US$ 8,9 trilhões em produtividade perdida anualmente, equivalente a 9% do Produto Interno Bruto (PIB) global. No Brasil, o índice de engajamento não ultrapassa 27%. O Future of Jobs Report 2025, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, aponta inteligência emocional, resiliência e liderança humanizada entre as competências mais demandadas pelas empresas na próxima década.

Para Érica Hatori, economista e mentora executiva, os números indicam uma mudança de paradigma na gestão. “O mercado está precificando emoção — não como soft skill decorativa, mas como vantagem competitiva estrutural num ambiente de alta volatilidade e transformação acelerada”, afirma.

Neurociência aplicada à liderança: o que os espelhos têm a ver com produtividade

A descoberta dos neurônios-espelho pelo neurocientista Giacomo Rizzolatti identificou um mecanismo pelo qual estados emocionais se propagam em grupos. Daniel Goleman, pesquisador no campo da inteligência emocional aplicada a organizações, documentou que líderes com alta regulação emocional geram climas organizacionais mais produtivos do que aqueles emocionalmente instáveis.

Hatori relaciona esses estudos ao ambiente corporativo. “O sistema nervoso de uma equipe captura e replica os sinais emocionais do líder: sua ansiedade, sua serenidade, sua confiança ou seu medo”, diz. Para a economista, a implicação é direta: quando o ambiente interno de uma empresa é dominado por insegurança crônica, o custo cognitivo de cada colaborador aumenta, a criatividade recua e a rotatividade cresce. O custo de reposição de um profissional varia entre 50% e 200% do seu salário anual, conforme estimativas do Society for Human Resource Management.

Técnica sem mentalidade: o teto de vidro que os currículos não explicam

A pesquisa de Tasha Eurich sobre autoconsciência, publicada na Harvard Business Review, indica que apenas 10% a 15% das pessoas que acreditam ser autoconscientes de fato o são. No ambiente executivo, essa lacuna pode se manifestar em decisões influenciadas por fatores emocionais não gerenciados.

Com base em mais de 25 anos de atuação em empresas familiares, multinacionais e nacionais, Hatori descreve um padrão recorrente no ambiente executivo. “Profissionais que estagnam não por falta de competência, mas por padrões emocionais limitantes que se traduzem em decisões subótimas, relacionamentos desgastados e incapacidade de escalar equipes. O problema nunca era o que eles sabiam. Era como processavam pressão, ambiguidade e conflito”, destaca.

A palestra que conecta os pontos

Com base nessas premissas, Hatori estruturou a palestra “Suas emoções decidem o quanto o PIB produz”. “O estado emocional do tomador de decisão é uma variável macroeconômica. Não é uma metáfora motivacional — é uma afirmação com lastro em dados de engajamento, neurociência e comportamento organizacional”, define a economista.

A estrutura da palestra percorre cinco eixos: como o sistema límbico interfere em decisões estratégicas; por que engajamento é um indicador econômico, não apenas de RH; o papel dos neurônios-espelho na propagação do clima organizacional; a conexão entre bem-estar do líder e performance financeira de sua equipe; e o que Hatori denomina PIB redefinido — Propósito, Inteligência Emocional e Bem-estar — como arquitetura interna de resultados sustentáveis.

A variável que faltava no modelo

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“Enquanto o debate econômico se concentra em taxa de juros, câmbio e política fiscal, uma variável silenciosa move ou destrói bilhões em valor. Cada reunião em que um líder reage a partir do medo em vez da clareza, cada decisão tomada sob estresse crônico não gerenciado, cada equipe que opera no modo de sobrevivência porque o gestor não desenvolveu autorregulação: tudo isso tem custo econômico mensurável”, acentua Hatori. “Ignorar o estado emocional do líder não é neutralidade técnica. É um custo que o PIB continua pagando”, completa a economista.

A boa notícia, segundo a especialista, é que essa variável é desenvolvível. Diferentemente de juros ou câmbio, o estado emocional de um líder pode ser trabalhado e calibrado.



Website: https://erica.hatori.com.br/metodo-rumo-connect

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