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Cistoscopia fetal trata obstrução urinária grave

Procedimento minimamente invasivo é utilizado em casos selecionados e busca preservar o desenvolvimento renal e pulmonar ainda durante a gestação. A técnica integra estudos e procedimentos conduzidos pelo obstetra de alto risco, médico, professor e cirurgião materno-fetal Rodrigo Ruano.

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A medicina fetal amplia as possibilidades terapêuticas para casos graves diagnosticados ainda durante a gestação. Entre os procedimentos de alta complexidade utilizados em centros especializados está a cistoscopia fetal, técnica minimamente invasiva indicada para o tratamento da obstrução urinária baixa fetal, conhecida pela sigla em inglês LUTO (Lower Urinary Tract Obstruction).

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Na literatura médica, a condição ocorre quando há bloqueio parcial ou completo da uretra do feto, impedindo a eliminação adequada da urina. O problema pode provocar alterações importantes no desenvolvimento renal e pulmonar do bebê, já que a urina fetal é fundamental para a formação do líquido amniótico durante a gestação.

Os estudos publicados até o momento sobre a cistoscopia fetal mostram resultados promissores em casos selecionados. Em uma das pesquisas coordenadas pelo obstetra de alto risco, médico, professor e cirurgião materno-fetal, Rodrigo Ruano e colaboradores, envolvendo 50 procedimentos realizados em centros especializados, a técnica apresentou alta precisão diagnóstica para identificar a causa da obstrução urinária fetal. Entre os fetos com válvula de uretra posterior tratados intraútero, mais da metade sobreviveu após o nascimento e parte significativa apresentou preservação da função renal nos primeiros anos de vida.

Outra análise multicêntrica avaliou mais de 100 fetos com obstrução urinária grave submetidos a diferentes abordagens fetais ao longo de duas décadas. Os dados indicaram melhora nas taxas de sobrevida e tendência de preservação da função renal em grupos submetidos à intervenção intrauterina.

“O diagnóstico costuma ser realizado por meio da ultrassonografia pré-natal. Entre os sinais observados estão aumento da bexiga fetal, alterações nos rins e redução do líquido amniótico. Em alguns casos, exames complementares ajudam a avaliar a função renal fetal e a definir a possibilidade de intervenção intrauterina, explica Ruano.

O médico afirma que a indicação do procedimento depende de uma análise criteriosa. “A cistoscopia fetal é indicada apenas em situações específicas, após avaliação detalhada da anatomia fetal, da função renal e das condições clínicas da gestante”, conta.

Ele ainda informa que o procedimento é realizado por via minimamente invasiva, com o auxílio da ultrassonografia. “Introduzimos um pequeno endoscópio através do abdome materno até a bexiga fetal. Assim, visualizamos diretamente o trato urinário do bebê e, em determinadas situações, utilizamos laser para desobstrução da uretra”, detalha.

A cirurgia fetal é considerada um procedimento de alta complexidade e, atualmente, é realizada em centros especializados com equipes multidisciplinares treinadas em medicina fetal, cirurgia fetal e acompanhamento obstétrico de alto risco.

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“Cada caso possui características próprias e precisa ser analisado de forma criteriosa. A decisão terapêutica envolve avaliação técnica, experiência da equipe e acompanhamento contínuo da gestante e do bebê”, conclui Ruano.



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