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Obesidade exige tratamento além da perda de peso

Dados mostram que 55,4% dos brasileiros estão com excesso de peso. Dra. Lucymária Dal' Col, médica com atuação em nutrologia, explica como fatores hormonais, metabólicos e inflamatórios impactam o emagrecimento

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O avanço da obesidade no Brasil já é tratado por especialistas como um dos principais desafios de saúde pública do país. Dados do Ministério da Saúde, noticiados pelo Jornal da USP, apontam que a prevalência da doença cresceu 118% nas últimas duas décadas.

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O Mapa da Obesidade mostra que a frequência de obesidade é semelhante entre homens e mulheres, enquanto o excesso de peso atinge 55,4% da população das capitais brasileiras, com índice ligeiramente maior entre os homens.

A Dra. Lucymária Dal' Col, médica pós-graduada em Nutrologia e em Adequação Nutricional e Manutenção da Homeostase Endócrina, explica que a obesidade é uma doença crônica e, como qualquer outra, demanda tratamento sério, com medicação, acompanhamento especializado e uma equipe multidisciplinar.

Segundo ela, a condição vai muito além do peso na balança, pois provoca alterações hormonais, aumenta o risco de doenças associadas e impacta diretamente o metabolismo.

“Perder peso sendo obeso é completamente diferente do que alguém sem obesidade. Por isso, tratamos com seriedade: não é só sobre ‘perder quilos’, é sobre cuidar da sua saúde integral”, acrescenta.

A dificuldade persistente para perder peso, mesmo com alimentação equilibrada e prática regular de exercícios, pode ser um indicativo de que fatores metabólicos ou inflamatórios estejam interferindo no funcionamento do organismo.

Segundo a médica, sinais como fome excessiva, dificuldade de saciedade (especialmente no período noturno) e desejo intenso por carboidratos e açúcar merecem atenção, assim como o acúmulo de gordura abdominal, principalmente a visceral.

Outros sintomas que podem estar associados são cansaço frequente, baixa energia, oscilações de peso e o chamado “efeito sanfona”. Alterações hormonais, como irregularidade menstrual, Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e resistência à insulina, além de queda de cabelo, mudanças na pele e unhas, distúrbios do sono e exames com alterações, como glicemia elevada, insulina alta, ferritina alterada ou marcadores inflamatórios aumentados, também podem indicar desequilíbrios que dificultam o emagrecimento e exigem avaliação médica especializada.

Avaliação individualizada ajuda a identificar causas do ganho de peso

Diante desses cenários, a Dra. Lucymária Dal' Col destaca a importância de uma avaliação médica individualizada, pois o processo ajuda a entender a história de vida do paciente e as suas dificuldades reais.

“O acompanhamento individualizado investiga não só seu peso, mas como seu corpo funciona: desde seus hormônios até o impacto do seu dia a dia, do seu sono, do seu estresse. Juntamos tudo: seu contexto, as mudanças metabólicas, hormonais ou inflamatórias”, detalha.

De acordo com a médica, o processo começa com uma investigação detalhada da rotina do paciente, incluindo hábitos alimentares, qualidade do sono, níveis de estresse, histórico de dietas, uso de medicamentos e presença de doenças associadas. Também são observados sinais e sintomas como fome excessiva, episódios de compulsão alimentar, fadiga, retenção de líquido e alterações na pele, cabelo ou ciclo menstrual.

Além da análise clínica, a avaliação inclui exames de composição corporal, que medem a proporção entre gordura e massa muscular, com atenção especial à gordura visceral. Exames laboratoriais também ajudam a investigar possíveis alterações metabólicas e hormonais, avaliando indicadores como glicose, insulina, função da tireoide e processos inflamatórios.

“O estilo de vida do paciente, incluindo prática de atividade física, qualidade do sono e carga de estresse, também faz parte da investigação para que o tratamento seja mais preciso e individualizado”, pontua a especialista.

Tratamento personalizado busca resultados sustentáveis

A principal diferença do tratamento personalizado para emagrecimento, segundo a profissional, está na forma como o paciente é avaliado e acompanhado. Em vez de seguir métodos generalistas ou “receitas prontas”, o plano é desenvolvido a partir do contexto de vida, das dificuldades individuais e do funcionamento do organismo de cada pessoa.

Segundo a médica, isso permite criar estratégias adaptadas ao metabolismo, aos hormônios, ao nível de inflamação e também à rotina, à qualidade do sono, ao estresse e ao comportamento alimentar do paciente.

Na prática, a Dra. Lucymária Dal' Col reforça que o tratamento passa a utilizar de forma mais assertiva exames clínicos, análise de composição corporal por bioimpedância e, quando necessário, medicação adequada para cada caso. O foco deixa de ser apenas a perda de peso e passa a incluir melhora da saúde, aumento da disposição e uma relação mais equilibrada com a alimentação.

“O acompanhamento contínuo faz toda a diferença porque a obesidade é uma condição crônica, e o corpo muda ao longo do tempo. Quando o tratamento respeita o corpo e a vida do paciente, ele deixa de ser um esforço temporário e passa a ser um processo possível”, observa.

A médica também alerta que, ao tentar emagrecer sozinho, o paciente corre o risco de perder massa magra, gerar efeito rebote, aumentar a inflamação, elevar as chances de desenvolver doenças secundárias e comprometer a qualidade de vida.

Segundo a Dra. Lucymária Dal' Col, os ganhos reais de saúde incluem mais energia e disposição, controle da fome e da compulsão alimentar, redução da inflamação, equilíbrio hormonal (com melhora do sono e do humor), preservação da massa muscular, melhora dos exames laboratoriais e redução do risco de doenças crônicas.

“Além disso, há um impacto direto na autoestima, na autoconfiança e na qualidade dos relacionamentos. No final, não é só pesar menos — é viver melhor”, conclui.

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