IA amplia capacidade analítica dos fundos de pensão
Evolução acelerada da tecnologia e pressão por eficiência aumentaram o uso da inteligência artificial pelos fundos de pensão desde 2022.
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A previdência complementar fechada, formada pelos fundos de pensão, enxerga a Inteligência Artificial como forte aliada para seu crescimento. Com 3,1 milhões de participantes e ativos que somam R$ 1,3 trilhão, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Previdência Complementar (Abrapp), o setor planeja chegar a um patrimônio equivalente a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos 10 anos e, para isso, precisará das ferramentas tecnológicas em constante evolução, afirma a entidade.
Como afirma Jarbas de Biagi, presidente da Universidade Corporativa da Previdência Complementar (UniAbrapp), a importância da ferramenta vai muito além de sua atratividade como inovação tecnológica: “A IA não substitui — ela potencializa. A previdência complementar fechada é movida por pessoas, pelas relações que constroem confiança e geram valor todos os dias. E é justamente ao unir essa força humana ao potencial transformador da inteligência artificial que o setor está dando um novo salto de qualidade”.
Segundo Biagi, o sistema já está comprovando na prática a importância da IA: “A inteligência artificial torna nossas decisões mais ágeis, nossos processos mais seguros e nossa atuação ainda mais estratégica. Dominar essa ferramenta não é apenas uma vantagem, é um passo essencial para fortalecer o futuro da previdência complementar”.
De olho nessa realidade, ele lembra que a UniAbrapp — braço de inovação e educação da Abrapp — realiza vários cursos voltados para a compreensão e utilização prática da IA: “É com esse propósito que nossos cursos foram desenvolvidos: capacitar técnicos, dirigentes e colaboradores das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (os fundos de pensão) para liderarem essa evolução com segurança e protagonismo”.
Segundo Glauco Milhomem, diretor de Tecnologia e Operações da Quanta Previdência e instrutor da UniAbrapp, a tecnologia também tem papel direto na transformação da rotina dos profissionais. “A IA amplia a capacidade de entrega individual, permitindo desde a elaboração de documentos e apresentações até análises mais sofisticadas de dados e apoio à tomada de decisão”, afirma.
O crescimento exponencial do setor também tem impactado a demanda por tecnologia mais sofisticada. De acordo com o mais recente Estudo Global de Ativos de Pensões, do Thinking Ahead Institute (TAI), houve um aumento de 9,6% em relação ao ano anterior. Os ativos globais de pensões atingiram o recorde de US$ 68,3 trilhões em 2025, impulsionados pela continuidade do crescimento das poupanças em planos de contribuição definida (CD). “Olhando para o futuro, as perspectivas para 2026 provavelmente serão moldadas por decisões políticas, inovação tecnológica e mudanças na dinâmica global. O apoio fiscal e o investimento em inteligência artificial devem continuar sendo importantes impulsionadores do crescimento”, enfatiza Jessica Gao, diretora do Instituto Thinking Ahead.
Por sua vez, a Benefits and Pensions Monitor publicou em seu site o artigo “How AI is transforming pension management”, que, em tradução livre, significa “Como a IA está transformando a gestão previdenciária”, em que analisa o uso da ferramenta para personalizar produtos de previdência com base no perfil de risco dos participantes, melhorando a adequação dos planos oferecidos. O texto destaca o uso da IA para criar experiências de usuário mais intuitivas e personalizadas, melhorando a interação e a satisfação dos participantes.
Ao mesmo tempo, a adoção da IA responde a um desafio estrutural do setor: equilibrar a necessidade de reduzir custos administrativos com a exigência por maior rentabilidade, transparência e qualidade na gestão. No relatório Princípios da Economia da Longevidade, o Fórum Econômico Mundial, em colaboração com a Mercer, reimagina o papel dos empregos, da saúde e de outros fatores na construção de resiliência financeira a longo prazo. Para esse fim, líderes de finanças e benefícios estão explorando o potencial da IA para mitigar a crise iminente, melhorando os sistemas de pensão modernos, desenvolvendo práticas de investimento mais inteligentes e projetando melhores programas de benefícios para os colaboradores.
A IA pode ter o potencial de aumentar a integridade dos planos ao impulsionar estratégias que visam controlar custos, melhorar resultados e otimizar a comunicação com os membros. Ela pode simplificar e automatizar tarefas transacionais para tornar a administração dos planos mais acessível. A IA generativa poderia personalizar as interações com os membros para oferecer melhor valor e compreensão, padronizando a linguagem técnica e orientada para a conformidade, garantindo maior consistência.
Apesar desse grande potencial, Milhomem recorda que a adoção da tecnologia exige responsabilidade. Questões como governança de dados, proteção de informações pessoais, transparência dos algoritmos e uso ético da tecnologia são fundamentais, segundo ele. “A IA não substitui o profissional. Ela atua como suporte analítico, enquanto a decisão final continua sendo humana”, destaca.
Para uma adoção consistente, o especialista recomenda começar pelo letramento em IA, seguido da identificação de casos de uso, testes piloto e definição de diretrizes de governança.
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Diante desse cenário, iniciativas de capacitação ganham relevância. A nova edição do curso de Inteligência Artificial aplicada às EFPC, criado pela UniAbrapp e que teve nova edição em março, prepara profissionais para esse novo contexto, com foco no uso prático de ferramentas, aplicações reais no setor e desenvolvimento de competências para uma atuação mais estratégica.
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