Mundo Corporativo

Crise de autonomia faz CEO de empresa familiar sair cedo

CEOs externos têm melhor desempenho (ROA de 4,08% vs. 3,22%), mas a falta de governança limita sua atuação estratégica. O perfil predominante é de homens, engenheiros e com mais de 50 anos liderando empresas familiares.

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O mercado corporativo brasileiro enfrenta um desafio silencioso, mas de alto impacto no Produto Interno Bruto (PIB): a instabilidade na cadeira do CEO nas grandes empresas familiares. Uma pesquisa inédita realizada pela Fundação Dom Cabral (FDC), com patrocínio da Grant Thornton Brasil, revela que a saída prematura desses executivos está raramente ligada à falta de competência técnica ou ao descumprimento de metas financeiras. O verdadeiro gargalo reside na dificuldade de navegar em um ambiente em que a gestão técnica é constantemente confrontada por um “organograma invisível” de influências emocionais e políticas.

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O estudo, que mergulhou na realidade de 22 organizações com faturamento de até R$ 4 bilhões, traça um perfil sênior desses líderes: a maioria possui entre 50 e 69 anos, com sólida formação em Engenharia ou Administração.

Embora 60% da amostra seja composta por profissionais externos, contratados justamente para trazer a necessária profissionalização, a realidade do dia a dia revela uma barreira invisível. Esses executivos muitas vezes se veem no papel de “equilibristas”, tentando mediar conflitos entre herdeiros e fundadores, o que gera um isolamento estratégico descrito pelos próprios entrevistados como uma “solidão no topo”.

Um dos dados do levantamento refere-se à fragilidade da governança. Enquanto 52% das empresas operam apenas com Conselhos Consultivos, a falta de órgãos deliberativos independentes faz com que as decisões estratégicas sejam frequentemente tomadas fora das salas de reunião oficiais.

De acordo com a professora Elismar Álvares, curadora do Family Business da FDC, a autonomia do CEO é diretamente proporcional à maturidade da governança: onde as regras não são claras, a confiança pessoal acaba pesando mais do que as métricas de desempenho.

“As empresas familiares são um dos grandes motores da economia brasileira, mas sua complexidade não está apenas na estratégia. Ela surge na interseção entre família, propriedade e gestão. Nesse contexto, o papel do CEO é fundamental para equilibrar expectativas, construir confiança e transformar relações em uma governança estruturada que contribua para a continuidade do negócio”, afirma Daniel Maranhão, CEO da Grant Thornton Brasil.

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A eficiência financeira também entra no debate com números contundentes. O relatório aponta que empresas sob o comando de CEOs externos apresentam um retorno sobre ativos (ROA) médio de 4,08%, um desempenho superior aos 3,22% registrados em gestões familiares.



Website: https://empresas.fdc.org.br/programa/ceo-na-empresa-familiar/

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