Diretriz de fibrilação atrial avalia monitoramento doméstico
Documento discute o uso domiciliar de dispositivos de eletrocardiograma em pacientes de risco.
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A fibrilação atrial é hoje reconhecida como a arritmia sustentada mais comum na prática clínica e está associada a um aumento de quatro a cinco vezes no risco de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. É nesse contexto que a Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial de 2025 atualiza critérios diagnósticos, estratificação de risco e recomendações terapêuticas.
O documento, lançado em outubro do ano passado, abre espaço para que registros obtidos fora do consultório, por meio de dispositivos portáteis e tecnologias digitais, sejam incorporados ao cuidado, desde que analisados por profissionais habilitados. Esse movimento favorece o uso de equipamentos que combinam medição da pressão arterial e traçado de eletrocardiograma em um único aparelho, permitindo que o paciente registre o ritmo cardíaco em casa.
“Esta diretriz considera que o diagnóstico clínico seja confirmado por registro eletrocardiográfico de pelo menos 30 segundos, em derivação única ou em 12 derivações, com interpretação médica, em linha com diretrizes anteriores. A principal novidade está na ênfase à monitorização prolongada e à triagem de populações de alto risco, como idosos, hipertensos e pacientes no pós-ablação”, afirma o cardiologista Audes Feitosa, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia e professor da Universidade Estadual de Pernambuco.
A relação entre a fibrilação atrial e a hipertensão arterial tem demandado soluções em dispositivos de monitoramento que contemplem funcionalidades combinadas entre medida da pressão e eletrocardiograma. Isso se justifica pelo fato de que, segundo a própria Diretriz Brasileira de Fibrilação Atrial 2025, a hipertensão é possivelmente o principal fator de risco populacional, aumentando em cerca de 50% o risco de desenvolvimento dessa arritmia em comparação a indivíduos normotensos, podendo chegar a 1,8–2,3 vezes mais risco em níveis pressóricos mais elevados, conforme meta-análise de 56 estudos de coorte com mais de 30 milhões de participantes.
“O cenário de uma população hipertensa e envelhecida, que convive com uma arritmia muitas vezes silenciosa e que só se manifesta no primeiro evento neurológico grave, tem incentivado a busca por novas estratégias de monitoramento domiciliar”, resume Feitosa.
É nesse contexto que se insere o Complete, monitor de pressão de braço com eletrocardiograma integrado, com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e certificação pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Produzido globalmente pela Omron Healthcare e comercializado no Brasil, o Complete é um equipamento para uso domiciliar que reúne monitor de pressão arterial e eletrocardiograma em um único dispositivo, com validação clínica para ambas as funções.
“A proposta desse tipo de tecnologia é permitir que o mesmo aparelho já usado para aferir a pressão registre também o ritmo cardíaco, em sessões rápidas de cerca de trinta segundos, com posterior análise do traçado por médico”, explica a diretora-geral da Omron Healthcare no Brasil, Fernanda Villalobos.
A integração entre monitor de pressão e eletrocardiograma foi avaliada em estudos clínicos conduzidos no Japão, utilizando um dispositivo de braço com eletrocardiograma de uma derivação, o mesmo conceito empregado no Complete. Em trabalho publicado em 2020, pesquisadores analisaram o valor diagnóstico de um monitor de pressão com eletrocardiograma embutido em pacientes com suspeita ou histórico de fibrilação atrial, comparando o resultado com o eletrocardiograma de 12 derivações.
O equipamento conseguiu diferenciar ritmo sinusal de fibrilação atrial com alta sensibilidade e especificidade, com grande concordância entre o algoritmo e a interpretação médica, sugerindo que o monitor de pressão com eletrocardiograma de uma derivação pode ser usado como ferramenta de triagem em idosos hipertensos.
Em seguida, essa estratégia foi testada em pacientes submetidos à ablação de fibrilação atrial, cenário em que a detecção precoce de recorrência influencia decisões sobre anticoagulação e manejo do ritmo. Em um estudo multicêntrico prospectivo no Japão, 128 pacientes pós-ablação registraram eletrocardiogramas em casa diariamente, ao longo de 12 meses, com um dispositivo que combina monitor de pressão e eletrocardiograma, além do seguimento convencional.
Os resultados, publicados em 2023 no periódico International Journal of Cardiology Heart and Vasculature, mostraram que o monitoramento domiciliar identificou recorrência de fibrilação atrial em mais pacientes e, muitas vezes, semanas antes do acompanhamento tradicional.
Em grande parte dos episódios detectados apenas pelo aparelho de casa, a arritmia durou menos de 48 horas, o que ajuda a explicar por que seria facilmente perdida em exames pontuais e consultas espaçadas. A diretriz brasileira de 2025 descreve a monitorização prolongada, incluindo dispositivos portáteis de eletrocardiograma e soluções digitais, como ferramenta para ampliar a detecção de fibrilação atrial subclínica em grupos selecionados, sobretudo idosos, hipertensos e pacientes em pós-ablação.
“Ao identificar a arritmia mais precocemente, o médico pode ajustar a anticoagulação, rever medicações e reavaliar a estratégia de controle de ritmo ou frequência, com potencial impacto na redução do risco de acidente vascular cerebral e de hospitalizações”, avalia o médico.
Na pesquisa japonesa, o benefício na detecção de recorrência foi maior entre os participantes com alta adesão, definidos como aqueles que registravam o eletrocardiograma em pelo menos 80% dos dias, reforçando que engajamento é condição essencial para transformar dados em benefício clínico.
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“Em uma arritmia que pode permanecer silenciosa por muito tempo, quanto mais cedo ela aparece no radar, seja no consultório, seja em casa, maior a chance de evitar um acidente vascular cerebral que mude a história daquele paciente”, finaliza o cardiologista.
Website: https://omronhealthcare.com/