Frigoríficos investem mais em rastreabilidade da carne suína
Embora não haja números específicos sobre os avanços da rastreabilidade de origem da carne suína no Brasil, cuja estimativa de produção é de 5,5 milhões de toneladas para 2025, a aplicação da tecnologia tem crescido no país. Além da segurança alimentar, para o consumidor essa adesão garante mais transparência sobre a classificação de raças como a Duroc, a produção sustentável e sobre a qualidade do produto.
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Da granja à mesa, a adesão voluntária da rastreabilidade de origem da carne suína no Brasil pelos frigoríficos tem crescido no país, em especial no segmento de produtos premium. Embora não haja números específicos sobre o avanço da aplicação dessa tecnologia no país, o movimento gera mais confiabilidade e transparência para o consumidor sobre o que chega ao prato do brasileiro.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) estima que a produção suinícola nacional deve fechar 2025 com um total de 5,5 milhões de toneladas, um crescimento acima do esperado de 4,6%. “Com o mercado aquecido e em constante evolução, a rastreabilidade surge como uma ferramenta fundamental neste universo da carne suína, para garantir não apenas informações precisas sobre a origem do produto, mas também para atestar sua qualidade, segurança alimentar e o compromisso com práticas sustentáveis”, afirma Rodrigo Torres, sócio-fundador de O Cortês.
O frigorífico O Cortês - que iniciou suas operações industriais no final de outubro em Raul Soares (MG), na Zona da Mata mineira, e cujos produtos começam a chegar às gôndolas brasileiras a partir do primeiro semestre de 2026 – é um exemplo deste cenário. A marca já entra no mercado garantindo a transparência em todas as etapas da sua cadeia produtiva, por meio do investimento nessa tecnologia.
A rastreabilidade na suinocultura brasileira, embora mais avançada que em outros setores de proteína animal, tem evoluído. “Se antes o controle se limitava a grandes lotes, hoje a tecnologia permite um acompanhamento detalhado, desde a genética dos animais, passando pela nutrição, manejo e bem-estar na granja, até o processamento e a chegada dos cortes finais às prateleiras. Este controle minucioso é um pilar para a segurança alimentar, permitindo a identificação rápida da origem de qualquer eventual problema”, pontua Torres.
O consumidor moderno, mais exigente e consciente, busca por produtos que contém uma história e que estejam alinhados aos seus valores. “A questão não é apenas saber de onde vem a carne, mas como aquele animal foi criado e qual o impacto de todo o processo no meio ambiente. A rastreabilidade é a ferramenta que nos permite entregar essa transparência e construir uma relação de confiança com quem consome nossos produtos”, afirma o diretor do O Cortês, cuja produção de carne suína é focada na raça Duroc, conhecida por características específicas de marmoreio e sabor.
Para o consumidor, a rastreabilidade se traduz em poder de escolha e segurança. Por meio de tecnologias como o QR Code presente nas embalagens, é possível acessar um universo de informações sobre o produto. “Queremos que ele tenha a certeza do que está levando para casa. Nosso sistema de rastreabilidade permite que cada cliente conheça a jornada do produto, da fazenda, onde tudo começa, até a sua mesa. Isso agrega valor, fortalece a marca e, principalmente, garante a segurança alimentar”, destaca Torres.
Além disso, o frigorífico já nasce com planos de exportar para mercados criteriosos como a União Europeia e os Estados Unidos, que valorizam qualidade e certificações rigorosas, a partir do final de 2026.
Sustentabilidade e diferenciação por raças
A rastreabilidade é também um pilar para a sustentabilidade. Ao monitorar cada etapa da cadeia produtiva é possível otimizar o uso de recursos, reduzir o desperdício e garantir práticas de bem-estar animal e de produção sustentável, como, por exemplo, a compensação das emissões de gases de efeito estufa.
No O Cortês, a ferramenta orienta sua estratégia de carbono neutro, que atualmente consiste no plantio de 190 hectares de florestas – 130 de eucalipto e 60 de regeneração de floresta nativa, além da mitigação por meio de ações como tratamento dos dejetos dos suínos em biodigestores e sua utilização para produção de energia elétrica renovável.
Estima-se que existem cerca de 16 raças de suínos no Brasil, entre industriais e autóctones e, por isso, a sua classificação é outra tendência que a rastreabilidade potencializa. Assim como no mercado de carnes bovinas, onde raças como a Angus se destacam, na suinocultura, raças como a Duroc oferecem características de sabor, maciez e marmoreio que agradam brasileiros e estrangeiros. “A rastreabilidade garante a procedência e a pureza da raça, assegurando ao consumidor que ele está, de fato, comprando um produto premium”, destaca o diretor do O Cortês.
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Como identificar se a carne suína é rastreada
- QR Code: a maioria das empresas que investem em rastreabilidade disponibiliza um código na embalagem, para ser scaneado por câmera de celular.
- Navegação pelas informações: após leitura do código, o consumidor poderá ser direcionado para uma página com dados sobre a origem do animal, a fazenda de criação, informações sobre a raça (no caso de O Cortês, a Duroc) e, em sistemas mais avançados, também sobre as certificações de bem-estar animal.
- Compreensão dos selos: por meio do QR Code, também são acessados os selos de certificação de bem-estar animal, de carbono e de rastreabilidade da raça.
Website: http://www.ocortes.com